Simplificação do HACCP – Metodologia CHAC

 Em que consiste? A metodologia CHAC ou 4C’s, criada pela Food Standards Agency (agência inglesa de Segurança Alimentar), tem como principal objectivo a aplicação dos princípios do HACCP de uma forma simplificada.A designação 4C’s foi atribuída à metodologia pela Food Standards Agency, pois esta foca-se em quatro áreas de controlo:

 



A metodologia
 CHAC é uma adaptação da metodologia 4C’s à realidade do nosso país. E a sua designação resulta da tradução para português dos nomes das quatro áreas de controlo:

 

 




 

 

A implementação dos princípios HACCP é feita pelas práticas que evitam/eliminam contaminações com perigos biológicos, químicos e físicos, considerando as quatro principais áreas de controlo.Com uma linguagem simples sem recurso a terminologia técnica, no entanto rigorosa, esta metodologia permite aos operadores construir eles próprios os seus procedimentos de segurança alimentar, através de respostas a questões operacionais como:

Etapa de Controlo/Pontos a controlar Porquê?(Princípios 1 e 2 do sistema HACCP) Como/Quando fazer?(Medidas preventivas, Principio 3 e 4 do sistema HACCP) O que fazer em caso de falha?(Principio 5 do sistema HACCP) Como evitar que ocorra de novo?(Principio 5 do sistema HACCP) Registos(Princípio 7)
Receção da matéria-prima (RMP)


Se os alimentos refrigerados estiverem muito tempo à temperatura ambiente ou os congelados apresentarem indícios de descongelação, podem desenvolver-se bactérias perigosas;

Podem aparecer nas embalagens corpos estranhos (pedras, terra)

Controlar a rotulagem - datas de durabilidade, indicações obrigatórias, condições especiais de conservação, entre outras

Ver estado de frescura dos alimentos

Controlar a temperatura do alimento – registando-a e verificar periodicamente a temperatura do transporte 

Os alimentos que necessitam de frio são armazenados de imediato - Manutenção da Cadeia de Frio

Verificação do estado das embalagens de transporte e de origem – As embalagens não podem estar deterioradas, abauladas, opadas -Contaminação Cruzada

Ver estado de limpeza da área de receção e do veículo de transporte – Higienização

Fazer estes procedimentos em cada receção da matéria–prima

 


Rejeitar de imediato a matéria-prima sempre que se verifiquem anomalias na receção

Mudar de fornecedor se houver um número significativo de anomalias

Rejeitar os alimentos que apresentam anomalias nas temperaturas

Se um produto químico, pragas, vidros partidos ou outras substâncias entrarem em contacto com os alimentos, rejeitar de imediato


Formação aos colaboradores sobre esta etapa do processo

Proceder a uma avaliação periódica dos fornecedores

Registo de temperatura na RMP
Armazenagem na refrigeração


Alguns alimentos necessitam de ser mantidos no frio porque há perigo de crescimento de bactérias

Ex: alimento com indicação "conservar no frio a …ºC", sobremesas

 


Verificar se os alimentos estão colocados no frio e protegidos -Contaminação Cruzada

Manter o equipamento de refrigeração controlado – registar a temperatura - Manutenção da Cadeia de Frio

Ver estado de limpeza do equipamento de frio - Higienização

Fazer este procedimento pelo menos 2 vezes por dia

 

Se o equipamento de frio avariar, transferir para outro equipamento

Ver quanto tempo os alimentos estiveram expostos a temperatura não controlada – confecionar de imediato a temperaturas altas ou rejeitar o alimento

 

Rever o procedimento de armazenagem

Manutenção dos equipamentos de frioFormação dos colaboradores

Registo de temperatura de equipamento de frio
Confeção

As bactérias dos alimentos crus, podem contaminar os alimentos confecionados

Algumas bactérias perigosas podem sobreviver

Utilização contínua do mesmo óleo de fritura dá origem ao desenvolvimento de produtos químicos prejudiciais à saúde

 

Separar alimentos confecionados de alimentos crus – Contaminação Cruzada

Garantir boa confeção dos alimentos – ver se não há presença de sangue e de sucos que indiquem que o produto ainda está cru, deixar os caldos e sopas ferver até “borbulhar” - Confeção

Verificar a temperatura e ver o grau de oxidação do óleo de fritura (teste do óleo), ver se o óleo alterou a cor (cor escura, espuma está alterado) e cheiro (se tem cheiro intenso está alterado – Rejeitar) - Confeção

Fazer a execução destes procedimentos no decorrer das tarefasVer estado de limpeza dos equipamento/utensílios - Higienização 

Se os alimentos cozinhados entram em contacto com os alimentos crus reaquecer a temperaturas elevadas ou rejeite se não for possível o reaquecimento

Verificar a posição do termóstato – temperatura inferior a 180ºC

Eliminar o óleo que apresente sinais de alteração. Se os alimentos foram fritos em óleo alterado rejeite-os

 

Reorganizar o plano de trabalho

Formação aos colaboradores

Criar sistema de verificação

Registo de reaquecimento de alimentos

Registo da temperatura do óleo de fritura

Distribuição

Os alimentos confecionados que não são servidos imediatamente necessitam de ser mantidos no quente ou no frio - algumas bactérias perigosas podem crescer

As bactérias do meio envolvente podem contaminar os alimentos prontos a distribuir

Colocar os alimentos a servir a quente em estufas/banho-maria pré-aquecidos a temperatura de cerca de 90ºC (confirmar com as indicações de cada equipamento) de forma a garantir que os alimentos estejam a temperatura superior a 65ºC - Contaminação Cruzada

Colocar os alimentos a servir a frio (temperaturas entre 0 a 5ºC) - Manutenção da Cadeia de Frio

Manipulação dos alimentos com utensílios adequados – não manipular directamente os alimentos com as mãos – Contaminação Cruzada/Higienização

Ver estado de limpeza dos equipamentos de frio e banho-maria/estufa - Higienização

Verificação da temperatura do equipamento de frio pelo menos 2 vezes por dia e banho-maria/estufa a quando da utilização

 

Afinar o banho-maria ou a estufa sempre que a temperatura for inferior a 90ºC

Tapar o banho-maria

Rejeitar os alimentos que tenham estado à temperatura ambiente por tempo superior a 30 minutos

Reparar os aparelhos em caso de avaria

Colocar os produtos alimentares para outro equipamento de frio similar.

 

Manutenção dos equipamentos de frio

Formação dos colaboradores

Registo de temperatura de equipamento de frio e estufas/banhos-maria

Tabela de exemplos de aplicação da metodologia sendo feita alusão às áreas de controlo identificadas em cada Ponto a Controlar.

Esta metodologia é legalmente permitida? De acordo com a legislação atualmente em vigor todos os operadores do sector alimentar são responsáveis por garantir que todos os alimentos que disponibilizam ao consumidor final são seguros. Por tal facto devem criar, aplicar e manter procedimentos de segurança alimentar baseados nos princípios HACCP (Artigo 5.º do Regulamento (CE) nº 852/2004 de 29 de Abril),tendo como referencial o Codex Alimentarius.Todavia, os requisitos de implementação dos princípios HACCP deverão ter a flexibilidade suficiente para serem aplicáveis em todas as situações, pelo que o novo método é legalmente válido, desde que bem aplicado, uma vez que permite a implementação dos princípios, embora de forma simplificada.

Quem pode utilizar esta metodologia? Somente as micro e pequenas empresas podem aplicar a metodologia CHAC. As restantes têm que implementar o sistema HACCP. No entanto, as micro e pequenas empresas que já têm implementado o sistema HACCP podem continuar com ele.

Fonte: ASAE

Material de apoio à aplicação da metodologia 4C’s/CHAC:

Diário de Segurança Alimentar (clique para mais informações)