12 de Setembro de 2026
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Poder de compra europeu recupera, mas consumo não acompanha
2026-09-11
Qualfood

O retalho europeu entra em 2026 num contexto de recuperação do poder de compra, inflação mais próxima do objetivo de 2% do Banco Central Europeu e mercados de trabalho resilientes. Ainda assim, o crescimento do consumo não acompanha a evolução dos rendimentos.

Em causa está uma mudança nas prioridades das famílias, que continuam mais cautelosas depois de vários anos marcados pela pandemia, inflação, pela instabilidade geopolítica e por perturbações nas cadeias de abastecimento.

Mesmo com a melhoria das condições económicas, muitos europeus continuam atentos aos preços e cada vez mais focados no valor, equilibrando acessibilidade com qualidade, conveniência, funcionalidade e confiança nas marcas, segundo os dados são do estudo “European Retail in 2025 and 2026”, da NielsenIQ Geomarketing.

Poder de compra recupera

Em 2025, o poder de compra médio per capita na União Europeia atingiu 22.425 euros, mais 3,3% do que em 2024. No conjunto dos 27 Estados-membros, os consumidores tinham cerca de 10,1 biliões de euros disponíveis para despesas, incluindo alimentação, compras de retalho, habitação, serviços, energia, seguros, férias e mobilidade. Polónia (+8,8%), Lituânia (+8,3%), Roménia (+7,7%) e Bulgária (+7,3%) registaram os maiores aumentos.

Apesar deste reforço do rendimento disponível, o volume de negócios do retalho cresceu apenas 2,1% em 2025, depois de ter aumentado 3% em 2024 e 5,5% em 2023. O desempenho reflete “a continuada normalização do consumo após a recuperação do período pós-pandemia” e, sobretudo, uma alteração na forma como os europeus distribuem o orçamento.

Os maiores crescimentos verificaram-se sobretudo no Norte e no Leste da Europa. A Noruega liderou, com uma subida de 13,1%, seguida da Lituânia (+10,5%), Suécia (+8,9%), Bulgária (+8,2%) e Eslováquia (+8%). O aumento dos salários e a melhoria do poder de compra contribuíram para estes resultados. Nos grandes mercados da Europa Ocidental, o desempenho foi mais fraco, com o Reino Unido a registar uma queda de 0,6%.

Retalho perde peso no orçamento

Para Philipp Willroth, responsável pelo estudo na NielsenIQ Geomarketing, o principal fenómeno não é uma redução generalizada da despesa, mas uma alteração das prioridades. “Os europeus não estão a gastar menos, mas de forma diferente”, afirma, sublinhando que o crescimento do poder de compra já não se traduz automaticamente num aumento equivalente da despesa em retalho.

A diferença entre a evolução do poder de compra e do retalho é particularmente visível no peso deste último no consumo privado. Em 2025, o retalho representava 31,9% da despesa privada na UE, o quarto ano consecutivo de redução. À medida que os rendimentos recuperam, uma parcela maior do orçamento está a ser direcionada para serviços, viagens, lazer e restauração.

As diferenças entre mercados são significativas. A Croácia apresentava a maior proporção de consumo destinada ao retalho, com 48,3%, seguida da Lituânia (45,7%), Bulgária (44%) e Hungria (43,2%). No extremo oposto, a Alemanha registava uma quota de apenas 22,2%.

Inflação volta a acelerar

A inflação também perdeu intensidade face aos níveis registados após a crise energética de 2022. Em 2025, a inflação média na União Europeia situou-se nos 2,5%, aproximando-se do objetivo do Banco Central Europeu. As maiores taxas foram registadas na Roménia (6,8%), Estónia (4,8%), Hungria (4,4%), Croácia (4,4%) e Eslováquia (4,2%). Em França, a taxa ficou nos 0,9%, uma das mais baixas da Europa.

Para 2026, contudo, a inflação europeia deverá voltar a acelerar, para 3,1%, impulsionada sobretudo pela pressão renovada sobre os mercados energéticos.

Fonte: Grande Consumo

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