O projeto Biocoating está a desenvolver bioplásticos biodegradáveis e ativos a partir de subprodutos vegetais não edíveis, como resíduos do processamento da batata e do abacate e borras de café, para aplicação no revestimento de embalagens à base de papel. Cofinanciada pelo Compete 2030, a iniciativa envolve a Universidade de Aveiro, a Isolago Europe e a Gráfica Ideal.
Com um custo total e elegível de 1.346.220 euros, o Biocoating conta com 939.025,70 euros de apoio financeiro da União Europeia, correspondentes a uma taxa de cofinanciamento de 70%. O projeto pretende desenvolver soluções que permitam reduzir a utilização de plásticos de origem fóssil em embalagens de papel, ao mesmo tempo que valorizam subprodutos da indústria alimentar.
Segundo informação divulgada pelo Compete 2030, a investigação parte de diferentes resíduos e subprodutos vegetais, incluindo lamas ricas em amido provenientes do processamento da batata, resíduos do abacate, pele de prata e borras de café, aos quais se juntam aparas resultantes do corte de papel. Em vez de utilizar apenas componentes isolados e purificados, a equipa procura aproveitar a composição global destes materiais para obter bioplásticos com propriedades adequadas à aplicação pretendida.
Em declarações ao Compete 2030, Idalina Gonçalves, investigadora principal do Biocoating e investigadora auxiliar no Departamento de Engenharia de Materiais e Cerâmica da Universidade de Aveiro, o projeto surgiu na continuidade do trabalho desenvolvido pela equipa na valorização de subprodutos da indústria alimentar. A investigação anterior demonstrou que matérias-primas como as lamas resultantes do processamento da batata podem ser transformadas em materiais com comportamento termoplástico.
Além da função de revestimento, o Biocoating procura conferir aos materiais propriedades ativas. Os compostos naturalmente presentes nos subprodutos são explorados para obter capacidade antioxidante e proteção contra a radiação ultravioleta, características que podem ser relevantes para a conservação de determinados alimentos.
O desenvolvimento abrange várias etapas, desde a identificação e caracterização dos subprodutos até à produção de granulados e filmes bioplásticos e à sua aplicação sobre papel. A Universidade de Aveiro assegura o desenvolvimento científico e a caracterização dos materiais, enquanto a Isolago Europe contribui com experiência na produção de compostos plásticos e a Gráfica Ideal testa a aplicação das formulações no revestimento de papel em condições próximas das utilizadas pela indústria.
Como referiu Idalina Gonçalves ao Compete 2030, os trabalhos realizados permitiram aprofundar o conhecimento sobre a composição e a variabilidade dos diferentes subprodutos e avaliar a influência de fatores como o teor de amido, de fibras, de lípidos e de compostos antioxidantes no processamento e nas propriedades dos materiais.
Já foram desenvolvidas diferentes formulações e verificado que vários dos subprodutos podem ser incorporados em quantidades relevantes. Os materiais obtidos apresentam diferenças nas características mecânicas, de superfície e de atividade antioxidante, permitindo identificar combinações mais adequadas a diferentes funções.
Algumas formulações foram também aplicadas sobre papel, tendo sido confirmada a sua aderência ao substrato. Esta etapa constitui um primeiro passo para a aplicação dos materiais no revestimento de embalagens.
O projeto encontra-se agora focado na otimização das formulações consideradas mais promissoras, procurando equilibrar processabilidade, propriedades funcionais e compatibilidade com o papel. O objetivo é consolidar os resultados obtidos à escala laboratorial e avançar para condições de processamento mais próximas das utilizadas na indústria.
Fonte: iAlimentar