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Investigadora indígena da Amazónia estuda microrganismos que poderão ajudar a degradar plástico
2026-11-03
Qualfood

Uma investigadora indígena peruana está a estudar microrganismos recolhidos num rio da Amazónia que poderão contribuir para encontrar novas soluções contra a poluição por plásticos. Avita Taricuarima já isolou mais de dez colónias e está a testar, em laboratório, a capacidade destes organismos para degradar diferentes tipos de plástico.

A investigação foi apresentada no GLEX Ignition, encontro internacional dedicado à exploração científica que decorreu em Coimbra, nos dias 29 e 30 de outubro.

Os microrganismos foram recolhidos no Rio Fervilhante, na Amazónia peruana. Segundo Avita Taricuarima, os primeiros resultados são promissores, mas ainda preliminares, não existindo por enquanto uma confirmação de que estes organismos possam ser utilizados em soluções concretas para reduzir a poluição por plástico.

«Já consegui isolar mais de dez colónias de microrganismos recolhidos no Rio Fervilhante. Estamos a testar a sua capacidade de degradar diferentes tipos de plástico em laboratório e os resultados são promissores», explicou a bióloga.

A investigação procura perceber se estes microrganismos poderão vir a contribuir para o desenvolvimento de novas abordagens à degradação de resíduos plásticos, um dos problemas ambientais com maior impacto nos ecossistemas.

Ciência e conhecimento indígena na proteção da Amazónia

Avita Taricuarima é bióloga e representante do povo indígena Kukama. Foi a primeira mulher da sua comunidade a ingressar na universidade e desenvolve também investigação sobre parasitas presentes em peixes consumidos pelas populações locais.

O seu trabalho procura aproximar a investigação científica das necessidades das comunidades amazónicas, numa região onde a preservação da biodiversidade e dos ecossistemas tem uma importância central.

Durante a sua intervenção em Coimbra, a investigadora defendeu que o conhecimento científico e os saberes ancestrais dos povos indígenas devem ser considerados em conjunto na procura de respostas para os desafios ambientais.

«A Biologia dá-me ferramentas para estudar a natureza e encontrar novas soluções, mas o conhecimento dos meus antepassados ensina-me a respeitá-la e a compreender a relação que temos com ela», afirmou.

A investigadora considera ainda que a proteção da Amazónia depende de uma mudança na forma como a sociedade olha para a natureza. Para as comunidades indígenas, explicou, a floresta, os animais e os rios não são apenas recursos naturais, mas elementos ligados à sua identidade e modo de vida.

Investigação foi apresentada em encontro internacional em Coimbra

A apresentação de Avita Taricuarima integrou o programa do GLEX Ignition, que reuniu em Coimbra, nos dias 29 e 30 de outubro, astronautas, cientistas, investigadores e responsáveis por missões de exploração científica.

O encontro foi organizado pela Expanding World Portugal, em parceria com o The Explorers Club, de Nova Iorque, e teve como objetivo promover o debate sobre as fronteiras do conhecimento científico e os desafios do futuro.

Fonte: Away magazine

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