A AgroGrinTech iniciou a operação de uma unidade piloto em Pedrouços, na Maia, para transformar subprodutos de ananás em ingredientes de valor acrescentado, incluindo bromelaína e farinhas para alimentação de peixes.
Desenvolvida no âmbito do projeto Pep4Fish, a instalação permite produzir anualmente cerca de 200 quilos desta enzima a partir de aproximadamente 120 toneladas de resíduos, com aplicação na produção de hidrolisados proteicos destinados à alimentação de robalo e dourada de aquacultura.
O arranque da unidade representa um avanço na transição do processo de extração da escala laboratorial para a produção piloto.
A otimização da linha permitiu quadruplicar a capacidade produtiva inicialmente prevista em 2025, passando de 50 para cerca de 200 quilos de bromelaína por ano, mantendo a tipologia dos ingredientes e os rendimentos de extração validados em laboratório.
O investimento associado à instalação ascende a cerca de 1,2 milhões de euros até ao final de 2026, combinando financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), através do projeto Pep4Fish, com capitais privados.
O montante foi aplicado na implementação da linha de produção, no desenvolvimento de conhecimento técnico e no reforço dos recursos humanos necessários à atividade.
Além da bromelaína, o processo permite obter farinhas de ananás, contribuindo para o aproveitamento de praticamente todo o subproduto e para um modelo de produção orientado para a redução de resíduos.
Bromelaína aplicada à alimentação de peixes
A casca e o núcleo do ananás, habitualmente descartados, constituem matérias-primas para a extração de bromelaína, uma enzima com propriedades digestivas, anti-inflamatórias e antioxidantes.
No âmbito do Pep4Fish, esta é utilizada na produção de hidrolisados proteicos, ingredientes obtidos através da decomposição de proteínas em componentes mais pequenos, facilitando a sua digestão pelos peixes.
A utilização destes ingredientes nas rações procura melhorar a digestibilidade dos nutrientes e contribuir para a saúde e o crescimento do robalo e da dourada produzidos em aquacultura.
O projeto visa, assim, desenvolver soluções alimentares mais sustentáveis, recorrendo à valorização de subprodutos da indústria alimentar e procurando reforçar a resistência dos peixes a doenças e a qualidade do produto final.
A bromelaína apresenta também potencial de aplicação noutros setores, nomeadamente nas indústrias alimentar, farmacêutica e cosmética.
Comercialização prevista para 2027
Com o processo produtivo escalado e os produtos otimizados, a AgroGrinTech prepara-se para reforçar a comercialização.
Até agora, a atividade comercial no setor alimentar tem-se centrado no fornecimento de pequenos lotes para testes e validação junto de clientes.
Para 2027, a empresa pretende consolidar as vendas e estabelecer os primeiros contratos de fornecimento.
No início do ano, prevê ainda abrir uma ronda de investimento para apoiar a comercialização e a internacionalização, bem como reforçar, nas áreas operacional e comercial, a equipa, atualmente constituída por seis pessoas.
Projeto reúne nove parceiros
O Pep4Fish é liderado pelo Grupo ETSA e integra nove parceiros empresariais e científicos: AgroGrinTech, B2E – Laboratório Colaborativo para a Bioeconomia Azul (B2E CoLab), Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), Indústria Transformadora de Subprodutos (ITS), Seaculture, Savinor, Sorgal, Sebol e Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa.
O Pep4Fish integra o Pacto da Bioeconomia Azul, uma das agendas mobilizadoras para a inovação empresarial previstas no PRR.
Fonte: iAlimentar