A União Europeia reforçou em 2025 a sua dependência de matérias-primas recicláveis importadas, com o volume líquido de importações a crescer 7,8% face ao ano anterior. Segundo dados divulgados pelo Eurostat, o bloco europeu importou 49,7 milhões de toneladas de materiais recicláveis provenientes de países terceiros e exportou 36,2 milhões de toneladas, resultando num saldo líquido de 13,5 milhões de toneladas.
O aumento representa mais cerca de um milhão de toneladas face a 2024 e confirma a tendência de a UE continuar a ser importadora líquida deste tipo de recursos desde o início da série estatística, em 2005. Ainda assim, o diferencial entre importações e exportações permanece 35,6% abaixo do pico histórico registado em 2006, quando atingiu 21 milhões de toneladas.
Os metais mantiveram-se como o principal material exportado pela União Europeia, totalizando 18,9 milhões de toneladas e representando mais de metade das exportações de matérias-primas recicláveis. Seguiram-se o papel e cartão, com 6 milhões de toneladas, e os materiais orgânicos, que ultrapassaram os 4,4 milhões de toneladas.
Os dados revelam também diferenças relevantes entre o comércio de resíduos e o de matérias-primas recicláveis. Enquanto metais e papel são comercializados quase exclusivamente sob a forma de resíduos, os materiais orgânicos consistem sobretudo em subprodutos agrícolas e industriais, com os resíduos a representarem apenas uma pequena fração deste fluxo comercial.
A Turquia voltou a destacar-se como o principal destino das exportações europeias de matérias-primas recicláveis, recebendo 12,8 milhões de toneladas em 2025. Índia, Reino Unido, Egito, Noruega e Suíça figuram igualmente entre os principais parceiros comerciais da UE neste setor.
Do lado das importações, o Brasil liderou como principal fornecedor, com 11,2 milhões de toneladas enviadas para a União Europeia. Argentina, Reino Unido, Ucrânia e Estados Unidos completam o grupo dos maiores exportadores para o mercado europeu.
Os números refletem a crescente importância estratégica das matérias-primas recicláveis na economia europeia, num contexto marcado pela transição energética, pela aposta na economia circular e pela necessidade de reduzir a dependência de recursos primários externos.
Fonte: Grande Consumo