As exportações portuguesas de frutos secos atingiram um novo máximo e ultrapassaram os 156 milhões de euros, o que representa um crescimento de 20% face aos 130 milhões faturados no exterior durante o ano anterior, de acordo com os números avançados ao ECO pela Portugal Nuts.
Mais de 90 produtores de amêndoa e noz reúnem-se esta terça-feira em Évora, no V Congresso Portugal Nuts, para debater os desafios do setor, numa altura em que os frutos secos representam 6% do total das exportações dos produtos vegetais nacionais.
Em quantidade, as exportações passaram de 37,25 mil toneladas em 2024 para 41,80 mil toneladas em 2025, um crescimento de mais de 12% (+4,55 mil toneladas).
A amêndoa mantém-se como o fruto seco mais exportado, representando cerca de 75% do total das exportações do setor em 2025, ao atingir 115,45 milhões de euros, um crescimento face aos 110 milhões registados no ano anterior. A exportação de amêndoas sem casca ultrapassou, também pela primeira vez, a de amêndoas com casca, passando a representar 65% do valor exportado e refletindo uma maior valorização do produto no mercado internacional. Espanha é o principal comprador.
Portugal é o segundo maior produtor europeu de amêndoa e o quinto a nível mundial. O presidente da Portugal Nuts, Tiago Costa, está convencido que Portugal poderá ser, já este ano, o quarto maior produtor mundial de amêndoa, atrás dos EUA, Espanha e Austrália.
Produção mundial em queda pode beneficiar produtores portugueses
Tiago Costa estima ainda que a produção mundial de amêndoa esteja em quebra. Como exemplo, refere que a Austrália, segundo maior produtor mundial, teve “um ano agrícola mau” e deverá registar produções muito baixas. Também os Estados Unidos enfrentam problemas climáticos, nomeadamente falta de água, que deverão afetar a campanha.
“Se isto se confirmar, e face às estimativas que estão a ser avançadas, podemos estar perante uma quebra da produção mundial, o que poderá permitir alguma recuperação dos preços, que têm estado muito deprimidos nos últimos anos”, diz.
Segundo Tiago Costa, o miolo de amêndoa está atualmente a ser pago entre 5 e 5,5 euros por quilo, acima dos 3 a 3,5 euros registados nos últimos dois anos.
A produção de miolo de amêndoa em Portugal pode, pelo menos, triplicar nos próximos cinco anos, quando as atuais plantações atingirem o seu potencial máximo.
Para este ano, Tiago Costa antecipa “alguma melhoria na produtividade”, justificando que “este ano foi favorável do ponto de vista atmosférico”.
or outro lado, as exportações de nozes atingiram 3,3 milhões de euros em 2025, o que corresponde a um aumento homólogo de 50% em valor, tendo Itália como principal comprador. Portugal é o quinto maior produtor europeu de nozes e o 15.º a nível mundial.
O líder da Portugal Nuts recorda ainda que a maior unidade de processamento de nozes da Europa está localizada em Portugal, mais concretamente no sul do distrito de Évora.
O presidente da associação sublinha que “o mercado europeu é o maior importador mundial de frutos secos” e que a principal origem das importações continua a ser os Estados Unidos.
“A produção europeia tem de competir com estas realidades e procura afirmar-se num contexto de grande competitividade em termos de preços, com mercados muito poderosos em capacidade de produção”, afirma Tiago Costa, destacando que “a produção europeia procura diferenciar-se pelo modo de produção, pela rastreabilidade e pela qualidade. São estes os fatores que nos permitem diferenciar a nossa oferta”.
O presidente da associação que representa o setor aponta ainda como principais entraves ao cluster o aumento dos custos de produção, impulsionado pela subida do salário mínimo nacional, pela inflação e pelo aumento do preço dos combustíveis.
Tiago Costa refere ainda que a guerra no Médio Oriente agravou não só os custos dos combustíveis, mas também dos fertilizantes, muitos dos quais produzidos na região do Estreito de Ormuz, cujos preços subiram, em alguns casos, entre 30% e 40%.
“Os custos de produção estão bastante pressionados e, ao mesmo tempo, os preços bastante voláteis, porque quando há problemas económicos há, evidentemente, redução do consumo e pressão sobre os preços”, afirma.
Ainda assim, o presidente da Portugal Nuts acredita que a instabilidade no Médio Oriente poderá representar uma oportunidade de curto prazo para os produtores europeus de frutos secos.
Fonte: Eco