22 de Maio de 2026
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Microplásticos detetados nos rios Mondego e Vouga entram na cadeia alimentar, alerta estudo
2026-05-22
Qualfood

Um estudo desenvolvido pela Universidade de Coimbra detetou a presença generalizada de microplásticos nas águas doces dos rios Rio Mondego e Rio Vouga, revelando níveis elevados destas partículas em várias zonas e alertando para os riscos ambientais e para a saúde humana.

A investigação foi conduzida pelo Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, em parceria com o Instituto Indiano de Educação e Pesquisa Científica de Calcutá, e analisou ecossistemas de água doce nas regiões de Coimbra e Aveiro.

Os investigadores concluíram que os microplásticos estão amplamente disseminados nos dois rios. Entre os materiais mais encontrados destacam-se o polietileno e o polipropileno, plásticos frequentemente utilizados em embalagens descartáveis.

Segundo a investigadora Seena Sahadevan, estes materiais resultam sobretudo da degradação de plásticos de utilização única que, ao fragmentarem-se em partículas cada vez menores, permanecem no ambiente sem desaparecer.

O estudo identificou ainda zonas particularmente afetadas. No rio Mondego, os valores mais elevados foram registados na região de Coimbra. Já no rio Vouga, a maior concentração foi detetada numa praia fluvial de Macinhata do Vouga, em Águeda.

De acordo, com a aluna investigadora Sarra Ben Tanfous, os níveis mais altos surgiram em áreas próximas de atividades agrícolas e zonas turísticas, o que poderá ajudar a explicar a maior concentração de resíduos plásticos.

Os especialistas alertam que estas partículas representam um risco porque acabam por entrar na cadeia alimentar. Os organismos aquáticos, nomeadamente invertebrados, ingerem os microplásticos e estes são posteriormente transferidos ao longo da cadeia trófica, podendo chegar ao consumo humano.

A maioria das partículas encontradas tinha menos de um milímetro, o que facilita o transporte nas massas de água e a ingestão por diferentes espécies aquáticas.

Embora o estudo classifique o risco ecológico global como baixo a moderado, algumas zonas apresentam níveis potencialmente elevados, reforçando a necessidade de monitorização contínua das águas doces.

Fonte: Sic Notícias

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