“O setor do azeite no Alentejo tem alguns especificidades. Houve um grande investimento tecnológico, há lagares de última geração, já utilizam drones, sensores e a questão é: Já colhemos estes dados, o que fazemos com eles”, perguntou Miguel Bello, da NOVA School of Business & Economics (NOVA SBE).
Em declarações à agência Lusa, à margem do Congresso, o especialista respondeu que, no seu entender, “para o setor específico do azeite a IA é, claramente, o estratega para ajudar a trabalhar toda essa informação”.
“Nos últimos 10, 15 anos andámos a implementar esta tecnologia e a ajudar a tomar melhores decisões, mas não vale a pena ter um lagar de última geração se eu não uso toda a informação que tenho para produzir o melhor azeite”, ilustrou.
Segundo Miguel Bello, após terem feito “esta caminhada da digitalização” e do “investimento tecnológico”, que lhes permite “ter um conjunto de dados gigantes”, o que os produtores e empresas do setor necessitam agora é “de fazer a caminhada de trabalhar essa informação e utilizar a inteligência artificial”.
Isto é, precisam de encarar a IA como “o colega que lhes prepara a informação, que lhes encontra padrões para conseguir produzir o melhor produto”, porque este é um setor “que tem um potencial brutal para a aplicação da inteligência artificial, sustentou o especialista da NOVA SBE.
Outro dos intervenientes no mesmo debate, Ricardo Santos Lopes, realçou à Lusa que “a IA já faz parte do quotidiano” da sociedade, incluindo do dia-a-dia dos agricultores, e alertou para a rápida evolução desta tecnologia.
“Há uma capacidade evolutiva, há vários domínios que se vão agregando, desde o ‘machine learning’ à inteligência artificial generativa” e, não muito longe no tempo, “vamos sair do domínio dos ecrãs e conviver com humanoides”, disse.
No setor agrícola, como a fileira do azeite, a IA pode ter um contributo positivo na previsão e melhoria de colheitas, no controlo de pragas, na componente meteorológica associada com sistemas preditivos, exemplificou.
“Com melhores dados conseguimos melhorar a qualidade do azeite e, tudo isto agregado, aumenta a competitividade dos produtos, dos agricultores e alavanca ainda mais uma fileira como a do azeite, extremamente importante. Já representa cerca de 700 milhões de euros no Produto Interno Bruto (PIB) e tem ainda uma fase de crescimento muito evidente”, argumentou.
Manuel Norte Santo, presidente do Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL), enfatizou as “práticas agrícolas inovadoras” e os “avanços tecnológicos” na fileira, mas admitiu que, do que sabe, “a IA ainda não está a ser aplicada no setor em todo o seu esplendor”.
Ainda assim, “com a análise de dados imediata, com a possibilidade de decisões mais eficazes e mais rápidas, a IA vai ser uma ferramenta indispensável”, defendeu.
Miguel Bello enfatizou essa importância: “A IA é o nosso colega estratégico. As pessoas começam a aperceber-se de que esta tecnologia é disruptiva. Acho é que ainda não tiveram a noção de que, provavelmente, é a tecnologia mais disruptiva das nossas vidas”.
Fonte: Agroportal