A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) foi requisitada pela Comissão Europeia, para realizar uma avaliação dos actuais níveis máximos de várias biotoxinas marinhas permitidos na União Europeia.
Para além de proteger a saúde humana, o objectivo é também avaliar os métodos de análise utilizados para detectar estas toxinas.
A primeira das biotoxinas estudadas foi o ácido ocadaico (OA) e as toxinas relacionadas, que constituem o grupo das toxinas OA.
Está cientificamente demonstrado que algumas biotoxinas marinhas, como as do grupo da intoxicação diarreica (DSP), entre as quais se encontram o ácido ocadaico (OA) e as toxinas relacionadas, constituem um perigo grave para a saúde humana quando estão presentes, acima de determinados limites, em moluscos bivalves, aquinodermes, tunicados e gastrópodes marinhos.
O Painel Científico de Contaminantes da Cadeia Alimentar (Conta) da EFSA realizou a avaliação das toxinas do grupo OA com a finalidade de estabelecer níveis máximos seguros no marisco, para além de fazer uma recomendação sobre os métodos de detecção alternativos aos biológicos para a determinação das biotoxinas.
O nível máximo total de ácido ocadaico, actualmente, permitido na parte comestível do mariscos é de 160 µg de equivalentes de ácido ocadaico/Kg, tal como refere a Decisão da Comissão 2002/225/CE, no entanto propõe-se a baixar substancialmente este valor para 45 µg de equivalentes de OA/Kg de carne de marisco.
Este grupo de cientistas determinou este valor com os dados disponíveis baseando-se em parâmetros toxicológicos, como o LMR (quantidade de substância que pode ser consumida por um período curto de tempo sem nenhum risco para o consumidor) estabelecido em 0,3 µg de equivalentes OA/kg de peso corporal.
Foi estimado que um adulto, com um peso de 60 Kg e com uma dieta onde se inclua rações abundantes de carne de marisco na ordem de uns 400 gramas, contaminados com um nível máximo de OA permitido actualmente pela UE, não só excederia em muito o LMR, como estaria muito próximo da LOAEL (nível mais baixo em que se observam efeitos adversos).
Para não ultrapassar o LMR, em rações deste tamanho, a carne de marisco não deveria conter mais de 45 µg de equivalentes de OA /kg de carne de marisco.
Fonte:Consumaseguridad