Apesar das pressões, a Comissão Europeia (CE) avançou com uma proposta de directiva que revoluciona a rotulagem dos produtos alimentares, obrigando a que na frente das embalagens estejam indicadas as quantidades de energia, açúcar, sal, gorduras, gorduras saturadas e hidratos de carbono.
O objectivo da proposta da Comissão Europeia, que terá ainda de ser aprovada pelo Parlamento Europeu e pelos ministros da Saúde dos 27 Estados membros, é combater o aumento de obesidade na UE, que, segundo da Organização Mundial de Saúde, mais do que triplicou desde a década de 1980.
Só o número de crianças com excesso de peso passou de 14 milhões em 2005 para 22 milhões no ano passado.
A proposta tem como propósito assegurar que os rótulos dos alimentos têm informação essencial de uma forma clara e legível, para que os cidadãos da UE tenham a possibilidade de fazer escolhas dietéticas equilibradas.
Para o comissário europeu para a Saúde, rótulos confusos, com demasiados itens e enganadores podem representar mais um obstáculo do que uma ajuda para o consumidor.
A par desta afirmação apresentou publicamente o plano, que foi além do inicialmente pensado pela CE, ao incluir os hidratos de carbono na lista de informações a indicar na frente das embalagens.
Esta alteração irritou ainda mais a Confederação de Indústrias de Alimentação e Bebidas (CIAA, Confederation of Food and Drink Industries), pois segundo estes existem estudos sobre consumidores, que indicam que os consumidores querem informação simples e compreensível num só olhar.
A proposta da comissão, para a CIAA, ignora completamente a necessidade dos consumidores para uma informação simples e falta-lhe flexibilidade para rótulos e embalagens mais pequenas.
Posição diferente tem o “lobby” europeu dos consumidores, que são unânimes pedindo uma rotulagem obrigatórios com os “oito grandes” (proteínas, gorduras, gorduras saturadas, açúcar, sal, hidratos de carbono, fibra e energia) mais as gorduras trans-saturadas que já é obrigada na rotulagem, resultantes da hidrogenação das gorduras, que permite processar óleos vegetais em gordura sólida à temperatura ambiente, mas que constituem um risco significativo para a saúde.
O comissário europeu para a Saúde foi também criticado por ter deixado de fora da sua proposta as bebidas alcoólicas, mas este defendeu-se afirmando que o princípio está lá, mas é preciso trabalhar mais, as bebidas alcoólicas com sabores também terão de indicar na frente das garrafas o seu valor energético.
Fonte: Público