Um fungo da ferrugem que ataca o trigo, surgido no Uganda em 1999, propagou-se por outros países de África e já atingiu extensas zonas da Ásia.
Este tipo de ferrugem ainda não chegou à Europa, embora dos que já se desenvolveram em Portugal tenham tido origem no Continente Africano.
O percurso desta nova ameaça para o abastecimento mundial de cereais, em particular nos países em desenvolvimento, teve origem no Uganda, seguindo o caminho do Quénia, Etiópia e Iémen.
O fungo Ug99 é uma nova espécie pertencente ao conjunto de formas especializadas da ferrugem negra dos cereais, denominada Puccinia graminis, cujo percurso traçado pelos cientistas indicou que seguiria pelo Egipto, Síria e Turquia, no entanto, um ciclone na Península da Arábica, em meados de 2007, alterou a rota dos esporos.
Segundo dirigentes da Organização da Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), o caminho pode estar aberto para o Paquistão e todo o sul da Ásia, podendo assentar no Irão, onde é comum um arbusto que funciona como seu hospedeiro, o uva-espim, berberis vulgaris.
Uma patologista vegetal e professora do Instituto Superior de Agronomia, referiu que em Portugal sempre houve terreno para a ocorrência dos três tipos de ferrugem dos cereais, nomeadamente a amarela, castanha e a negra.
Muito recentemente, numa tentativa de recolha de esporos existiu muita dificuldade em recolher esporos da ferrugem amarela, tendo a negra também desaparecido.
Este desaparecimento é devido ao melhoramento genético da planta, que encurtou o ciclo de crescimento e produção, evitando o ataque do fungo na fase da floração, o que impediria a formação do grão, no entanto, tudo depende da variedade de trigo.
A mesma especialista explica que grande parte das variedades deste cereal dos últimos 30 anos tinha resistência à ferrugem através do gene SRB1 e, por outro lado, diz, este é combatido com fungicidas.
As novas variedades de trigo resistentes ao fungo em questão, só estarão disponíveis dentro de cinco anos, uma alternativa preocupante numa fase em que a escassez dos cereais já gera confrontos localizados nos países mais pobres.
Fonte: Confagri