O Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e das Pescas (MADRP), condicionou, desde 4 feira, a importação de bovinos vivos da União Europeia (UE), devido à presença em diversos Estados-membros de um subtipo de língua azul para o qual não há vacinas.
O Ministério justifica a medida pelo facto de terem sido obtidos resultados laboratoriais que revelaram a presença de genoma do vírus da Língua azul do serótipo 8 (BTV8) em dez bovinos
provenientes de zonas de restrição sazonalmente livres de BTV8, salientando que o objectivo é prevenir a introdução daquele vírus no território nacional.
Desta forma, e até ao término do período considerado sazonalmente livre, a introdução em território Português de ruminantes com origem em zonas de restrição de BTV8, será condicionada a uma autorização prévia a conceder pela Direcção Geral de Veterinária.
Essa autorização depende de uma avaliação caso a caso e surgirá na sequência da apresentação de garantias adicionais.
Portugal é indemne do BTV8 não podendo esta variante da doença ser, actualmente, combatida com a aplicação de vacinas, ao contrário do que acontece com os outros dois serótipos de língua azul que existem no país: o um e o quatro.
Não resta, portanto, outra alternativa às autoridades portuguesas que não sejam os mecanismos de prevenção de introdução do agente, como forma de proteger a saúde dos efectivos de ruminantes nacionais.
O Ministério alerta os negociantes de gado que qualquer tentativa de introdução irregular de animais das referidas origens em território nacional, acarreta não só o levantamento de responsabilidades penais mas, sobretudo, constitui um risco sanitário que pode pôr em causa todo o efectivo nacional, uma vez que a doença provocada pelo BTV8 provoca graves prejuízos económicos no sector do leite e da carne.
No ano passado, Portugal debateu-se com um problema de língua azul que levou o Governo a accionar um projecto de vacinação em larga escala dos animais, porque havia vacinas para os subtipos em causa (um e quatro) mas existem subtipos (sete e oito) em países como França, Alemanha e Holanda, para os quais não há vacina.
Fonte:Confagri