A obtenção de uma bebida vínica elaborada a partir do vinho, mas com menos teor de álcool, é o objectivo de uma investigação de um grupo de investigadores portugueses.
Conseguir uma bebida vínica de teor alcoólico inferior ao do vinho - ao abrigo da legislação portuguesa só é considerada vinho a bebida fermentada a partir de uvas com teor alcoólico superior a oito graus - é um processo iniciado em 2003 e que em 2007 obteve já resultados satisfatórios ao nível da qualidade.
A intenção é obter uma bebida de qualidade, menos tóxica, com menos calorias e mais leve do que o vinho sem que se percam as características de aroma, cor e sabor.
Mulheres, desportistas e quem no Verão opta por bebidas mais leves e com menos álcool do que o vinho, como a cerveja, contam-se entre os consumidores que poderão ser atraídos por esta bebida vínica.
Até porque os vinhos portugueses têm cada vez maior teor alcoólico devido, nomeadamente, ao aumento da temperatura à escala planetária e à melhoria das técnicas vitivinícolas, o que prejudica a saúde, pelo que a diminuição do teor alcoólico dos vinhos é uma área em que estão a ser investidas verbas avultadas em todo o Mundo.
França e Estados Unidos são exemplos de países onde já se produzem vinhos de baixo teor alcoólico, porém, apesar de o processo em Portugal ter sido demorado e difícil, é o que apresenta melhores resultados por manter as características essenciais do vinho como a cor, o aroma e sabor.
Diminuir o teor alcoólico do vinho não é algo fácil, pois pode ser feito através da evaporação do álcool a baixa pressão e temperatura, ou da interrupção da fermentação, mas este processo é contra-natura.
A dificuldade está em manter as qualidades de um vinho de 12, 13 ou 14 graus de teor de álcool numa bebida vínica de cinco, seis, sete ou mesmo oito graus, que é o que estes investigadores estão a desenvolver.
A diminuição da graduação alcoólica do vinho está a ser feita através da nanofiltração, que consiste num processo físico em que o vinho é pressionado a alta carga de muitas atmosferas contra uma membrana polimérica própria para produtos alimentares, com poros de diâmetro na ordem do nanómetro (inferior a um milionésimo de milímetro).
Em consequência da pressão e da dimensão dos poros do polímero, a membrana deixa passar apenas as moléculas mais simples e mais pequenas do vinho, que estes investigadores designam como o "permeado" e que consiste nas moléculas de água e de álcool.
A nanofiltração é uma tecnologia que, sendo utilizada já para fins industriais, só na última década começou a aplicar-se ao vinho.
Esta tecnologia não é para aplicar a um “grand vin”, e também não se trata de expurgar do vinho todo o teor alcoólico, porque se assim fosse o conceito de vinho morreria.
Quanto a uma data para se poder comercializar o produto, até ao final deste ano ou no próximo os resultados já permitirão pensar em possibilidades de colocação no mercado, sublinhando que o custo de produção desta tecnologia não chega aos 10 cêntimos por litro.
Fonte:Lusa