A ideia é de uma enorme simplicidade e surgiu em conversa, quando o grupo de Maria Mota, do Instituto de Medicina Molecular (IMM), e outros investigadores da jovem empresa de biotecnologia Alfama preparavam a submissão de uma patente.
Decidiram então testar a ideia em ratos e, para sua surpresa, a hipótese funcionou.
Com isso, descobriram uma nova estratégia, simples e barata, de profilaxia contra a malária, utilizando uma substância chamada genisteína, que existe na soja e que pode ser utilizada como suplemento alimentar sem risco de toxicidade.
A descoberta, que é publicada hoje na prestigiada revista "PLos ONE", é também o ponto de partida para novos estudos.
O próximo passo é fazer ensaios de campo, em colaboração com o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça, perto de Maputo.
Em 2003, o grupo de Maria Mota descobriu que uma determinada molécula da família das quinases, que existe nas células do fígado do hospedeiro, é importante para o desenvolvimento do parasita da malária, o Plasmodium falciparum, nessas células.
Por outro lado, sabia-se que aquela família de moléculas é inibida pela genisteína existente na soja, juntaram as duas coisas e decidiram ver no que resultava.
Os resultados mostram que a genisteína inibe de facto a fase de infecção nas células do fígado, com uma eficácia entre 50 e 80%, notando que a administração profiláctica, como suplemento alimentar a populações de regiões onde a malária é endémica, pode ter um grande impacto na saúde dessas populações.
Fonte: DN