A obesidade infantil tem vindo a aumentar cada vez mais, considerando-se o consumo de bebidas açucaradas e de energia, sob a forma líquida, um factor susceptível de aumentar o risco de obesidade.
Mediante esse factor um grupo de investigadores do Porto avaliou a associação entre a ingestão de alimentos fluidos e o excesso de peso em crianças.
A amostra final do estudo incluiu 1675 crianças dos 5 aos 10 anos de idade (de 35 escolas do Porto).
Foram avaliados o peso e a altura, de acordo com os procedimentos internacionalmente recomendados, e calculados o índice de massa corporal e definiu-se excesso de peso de acordo com os critérios da “International Obesity Task Force”.
Os pais/encarregados de educação das crianças preencheram um inquérito com dados relativos à família, actividade física e ingestão alimentar.
Tratava-se de um questionário de frequência de consumo alimentar, que incluía a avaliação da ingestão de leite, sopa de hortícolas, colas, “ice-tea” e outros refrigerantes/sumos/nectares da criança.
Estes dados foram tratados usando modelos de regressão logística, por sexo, de forma a estimar a magnitude da associação entre o consumo de fluidos e o estado ponderal das crianças, com ajuste para confundidores.
Como resultados destacaram-se a elevada prevalência de excesso de peso e obesidade (36,6%, para raparigas, e 38,8% para rapazes).
Nas raparigas, a ocorrência de excesso de peso e obesidade foi significativamente maior nas que tinham baixo consumo de sopa relativamente às que tinham ingestão elevada, mesmo após ajuste para confundidores.
Não se encontraram associações significativas entre a ingestão de bebidas açucaradas ou leite e a ocorrência de excesso de peso nas crianças de ambos os sexos.
Desta forma, os investigadores concluíram que dos alimentos fluidos avaliados apenas o consumo de sopa protegeu significativamente as raparigas da ocorrência de excesso de peso, independentemente de outras características.
Fonte: APN