O interesse crescente demonstrado pela sociedade vai acompanhando as numerosas recomendações dietéticas procedentes das mais distintas fontes. A maioria é baseada em crenças e mitos irracionais que não têm em consideração os princípios científicos e nutricionais, e muitas vezes, contradizem conhecimentos solidamente documentados actualmente.
Neste sentido, especialistas da Delegação Provincial de Assuntos Sociais, do Serviço Social de Saúde e da Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Granada, elaboraram um compêndio destes mitos e falsidades que condicionam os hábitos alimentares e nutricionais dos consumidores.
Não há alimentos incompatíveis, e, como tal, não é necessário estabelecer uma ordem de ingestão. Pelo menos é isso que subscrevem os conhecimentos actuais sobre a digestão e a absorção digestiva, bem como milhares de anos de experiência humana ingerindo alimentos por diferentes ordens, mediante a cultura e a época histórica em concreto.
Refrões populares como “quem come fel não pode cuspir mel” ou “de lautas ceias estão as sepulturas cheias”, são inquestionavelmente certos , uma vez que se conhece bem o trinómio metabólico de ingestão, reservas e gastos energéticos e as suas consequências sobre a saúde, das quais a mais conhecida pelo aspecto negativo é a obesidade.
O grupo alimentar ao qual pertencem a carne e o pescado, ricos em proteínas, foi alvo, ao longo da história gastronómica da humanidade, de numerosos provérbios e rimas com aspirações educativas, alguns deles com fundamentos tão estranhos quanto originais, que felizmente a ciência de hoje se encarregou de destruir.
A ideia de que a “carne alimenta mais que o pescado” poderia ser fundamentada, pelo facto de ao ter menos gordura e menos tecido conjuntivo, o pescado é digerido com mais facilidade e proporciona uma menor sensação de saciedade.
Aliás, antigamente era difícil manter a cadeia de frio para a conservação do pescado, mais facilmente alterável que a carne, pelo que era uma ideia comum que este alimento marinho era menos saudável que o seu homólogo terrestre.
Seguramente provocava mais intoxicações pela sua alteração e a posterior formação de histamina, responsável por urticárias pela acção química das bactérias e daí o mito do seu menor conteúdo alimentar.
Outro exemplo de crença falsa é a de que o ovo cru alimenta mais que o cozinhado, quando na realidade ocorre exactamente o contrário.
Quando se frita, coze ou escalfa este alimento, o calor coagula as proteínas que são mais facilmente “atacadas” pelos sucos gástricos do estômago e são aproveitadas em cerca de 92%, em comparação com os 50% de aproveitamento quando a clara está crua; além do risco sanitário de salmonelose de se comer cru.
Fonte: Consumaseguridad