18 de Agosto de 2026
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Economia circular pode poupar até 350 euros por pessoa por ano às famílias
2026-08-18
Qualfood

A Associação Smart Waste Portugal destaca que a economia circular está presente em muitas escolhas do quotidiano e que, no conjunto, estas práticas podem evitar despesas desnecessárias e traduzir-se numa poupança de centenas de euros ao longo do ano.

O desperdício alimentar é uma das áreas em que a relação entre circularidade e poupança é mais evidente. Segundo os dados provisórios mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos a 2024, foram desperdiçadas em Portugal mais de 1,8 milhões de toneladas de alimentos, o equivalente a 161,2 kg por habitante. Cerca de 65% do total teve origem no consumo doméstico.

Este desperdício tem também uma expressão financeira. Uma estimativa divulgada pela Too Good To Go em 2024, com base nos dados europeus então disponíveis, apontava para cerca de 350 euros por pessoa, por ano, gastos em alimentos que não chegam a ser consumidos. Num agregado de três pessoas, o valor desperdiçado aproxima-se dos mil euros anuais.

Indo além da alimentação, reparar antes de substituir é outra medida com impacto potencial no orçamento. Segundo o Parlamento Europeu, os consumidores da União Europeia perdem, em conjunto, cerca de 12 mil milhões de euros por ano ao substituir bens em vez de os reparar. Pedir um diagnóstico e comparar o custo da reparação com o de um produto novo pode evitar uma despesa elevada, além de prolongar a vida útil de equipamentos, roupa ou mobiliário.
 
Segunda mão e partilha ganham espaço

Quando a compra é necessária, os artigos em segunda mão ou recondicionados podem ser uma alternativa mais económica, desde roupa a mobiliário e equipamentos eletrónicos. No caso de objetos utilizados apenas ocasionalmente, como ferramentas ou material de lazer, alugar, pedir emprestado ou partilhar pode substituir a aquisição e contribuir para a poupança. Vender, trocar ou doar o que deixou de ser usado permite ainda prolongar a vida dos produtos.

Estas escolhas traduzem a economia circular no quotidiano. O conceito não se resume à reciclagem: começa antes de um produto se transformar em resíduo, ao reduzir consumos desnecessários e manter bens e materiais em utilização durante mais tempo através da manutenção, reparação, reutilização, partilha e recondicionamento.

Em 2026, o Dia da Sobrecarga da Terra de Portugal ocorreu a 7 de maio, segundo a Global Footprint Network, o que significa que a partir desse dia passamos a viver em crédito ambiental com o planeta e a consumir os recursos do futuro.

A Associação Smart Waste Portugal defende que aproximar a economia circular dos cidadãos exige demonstrar os seus benefícios concretos no dia a dia. A mudança não depende, contudo, apenas das famílias. Ao nível das empresas, estas devem disponibilizar produtos mais duráveis e reparáveis, peças e serviços de reparação, enquanto as políticas públicas devem tornar a reutilização, a partilha e a compra em segunda mão opções acessíveis.

Fonte: Grande Consumo

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