Nem todas as respostas para os desafios ambientais exigem grandes investimentos ou mudanças difíceis de concretizar. A compostagem doméstica, a reutilização de materiais e a melhoria dos sistemas de depósito e reembolso são algumas das soluções que podem contribuir para uma sociedade mais sustentável.
É a partir desta perspetiva que a comunidade do Pacto Climático Europeu em Portugal vai participar nas sessões de apresentação do documentário Hope – Estamos a Tempo, da autoria do divulgador ambiental Javier Peña.
A série, composta por seis episódios, será exibida na Biblioteca do Goethe-Institut, em Lisboa, entre 8 de outubro e 10 de novembro, com debates associados a cada episódio.
Compostagem pode começar em casa
Um dos temas em destaque é a compostagem comunitária e doméstica dos resíduos urbanos.
Paulo Lucas, da direção da ZERO, defende que esta é uma solução que pode ser adotada pelos municípios e pelas famílias, permitindo transformar resíduos orgânicos em composto e contribuir para o fecho do ciclo dos nutrientes.
Segundo os dados citados pela ZERO no comunicado, Portugal envia atualmente cerca de três milhões de toneladas de resíduos urbanos para aterros por ano. O mesmo documento, com base no Relatório Anual de Resíduos Urbanos de 2024 da Agência Portuguesa do Ambiente, refere que o país produziu 5,5 milhões de toneladas de resíduos urbanos nesse ano, tendo 52% sido depositados diretamente em aterros.
A organização aponta ainda diferenças entre municípios na disponibilização de compostores domésticos. Segundo os números apresentados, Viana do Castelo já distribuiu 8.123, Lisboa 3.416, Gondomar 3.027 e Oeiras 2.863.
A proposta passa por generalizar este tipo de soluções, permitindo que mais famílias possam fazer compostagem em casa e reduzir a quantidade de resíduos encaminhados para tratamento.
O que pode mudar no sistema “Volta”?
A economia circular é outro dos temas abordados na iniciativa, nomeadamente através do episódio “Metamorfose”.
Marta Brazão, presidente da Circular Economy Portugal e embaixadora do Pacto Climático Europeu, deverá abordar algumas das questões relacionadas com o Sistema de Depósito e Reembolso “Volta”, que tem sido alvo de discussão em Portugal.
A responsável defende que as dificuldades iniciais não devem desvalorizar o potencial do sistema e aponta o exemplo da Alemanha, onde, segundo afirma, a taxa de retorno das embalagens chega atualmente aos 98%.
Entre as propostas apresentadas está a instalação de “caixas de doação” de garrafas e latas em cidades, vilas e povoações, de forma a facilitar a entrega das embalagens e evitar que sejam deixadas na via pública.
Há também soluções para reutilizar copos
A reutilização é igualmente abordada através do projeto “Copo+”, que está numa fase piloto em Lisboa.
Segundo o comunicado, existem atualmente cinco máquinas instaladas, estando previstas 17. A responsável da Circular Economy Portugal considera que ainda são necessários mais equipamentos, comunicação junto dos cidadãos e uma maior adesão por parte de espaços e empresas do canal HORECA.
A Câmara Municipal de Lisboa estima que 25 mil copos descartáveis sejam desperdiçados por noite, segundo os dados citados no comunicado.
As mulheres também estão no centro da ação climática
A série aborda ainda a importância da igualdade de género para a ação climática.
Susana Viseu, fundadora e presidente da ONG Business as Nature, defende que a transição climática deve ser inclusiva e que a participação das mulheres na liderança das comunidades e das empresas é importante para a sustentabilidade dos territórios.
A Business as Nature impulsiona a Women & Climate Global Coalition, uma plataforma internacional dedicada à liderança feminina na ação climática e à ligação entre igualdade de género e políticas ambientais.
A iniciativa organiza a sua atuação em áreas como política e ativismo climático, capacitação, empreendedorismo sustentável, ciência e tecnologia, comunicação e participação e criação de redes.
Um documentário centrado em soluções
É este conjunto de temas que será levado às sessões do Hope – Estamos a Tempo em Lisboa.
A série procura olhar para a crise climática a partir de soluções que possam ser aplicadas localmente, em vez de se concentrar apenas na dimensão dos problemas ambientais.