29 de Outubro de 2026
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Viver mais e melhor começa nas escolhas alimentares
2026-10-29
Qualfood

A procura de alimentos associados à saúde e à longevidade está a mudar o mercado. Mas acompanhar essa evolução implica, mais do que lançar produtos, perceber o que o consumidor quer, ajudá-lo a escolher e dar previsibilidade a quem produz.

Para garantir o equilíbrio entre as diferentes parcelas desta equação, Luís Mira sublinhou a importância de relações duradouras para responder a uma procura em mudança. “É, por isso, fundamental construir relações comerciais estáveis que permitam aos agricultores planear os investimentos e adaptar a produção com maior proximidade”.

Mas o desafio, alertou o secretário-geral da CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal), que participou esta manhã no painel de debate da conferência ‘Novos consumos, novos consumidores’, começa na diferença entre o ritmo das tendências e o tempo necessário para investir numa exploração agrícola. Para Luís Mira, a rentabilidade é a primeira preocupação do agricultor, e a sua capacidade de adaptação depende de condições que permitam assumir riscos e manter a atividade.

Saúde, conveniência e preço

Hoje, o consumidor procura alimentos que conciliem qualidade nutricional, sabor, facilidade de preparação e preço. “Já não se trata apenas de encarar a comida como uma necessidade básica, mas de comer melhor, e de escolher de forma estratégica, os alimentos que consumimos”, observou Pedro Barraco. O diretor da cadeia agroalimentar da Mercadona reforçava, na sessão de encerramento, a ideia que Inês Pádua levara ao debate. A nutricionista destacou a importância de preservar a saúde ao longo da vida com o contributo de alimentos como, por exemplo, os frutos vermelhos, os ovos e os lacticínios. “É preciso pensar a nutrição além do emagrecimento”, sublinhou.

Inês Pádua alertou também para a distância entre a informação que circula e o conhecimento dos consumidores. Uma preocupação transversal aos participantes no debate e cuja solução, na perspetiva de Luís Mira, passa pela educação alimentar e por uma abordagem que inclua outros hábitos. “O problema nutricional resolve-se com a alimentação, dormir bem e fazer exercício”, acrescentou.

Do lado da produção, Gonçalo Santos Andrade, presidente da associação de produtores de hortofrutícolas, Portugal Fresh, explicou que muitas mudanças nos hábitos alimentares já chegaram aos produtores e, em alguns casos, acabaram por tornar-se estratégias bem-sucedidas. Como exemplo citou a evolução do sector dos pequenos frutos (os chamados frutos vermelhos) e a adaptação aos mercados de exportação. “Portugal é atualmente o único país que produz frutos vermelhos 52 semanas por ano, e com um grande potencial de crescimento”, disse.

A cooperação entre agricultores, indústria e distribuição e, a par disso, um planeamento estratégico bem estruturado é, na opinião dos participantes nesta conversa, a conjugação de elementos essencial para que novos consumos e novos consumidores se alinhem em torno do objetivo comum de trazer alimentos com maior qualidade nutricional para a mesa dos portugueses. “Para conseguirmos entregar esta qualidade, temos que alinhar toda a cadeia de valor à procura das melhores soluções”, concluiu Pedro Barraco.

Outras conclusões:

  • A alimentação é cada vez mais uma forma de promover a saúde e a longevidade. “Isto significa que queremos viver mais tempo com mais saúde”, disse Pedro Barraco;
  • Na opinião de Luís Mira, o consumidor está mais atento à alimentação, mas precisa de informação clara e fundamentada. “Há muita informação, mas há também muitas dúvidas”;
  • A alimentação saudável deve ser acessível e prática, preservando o prazer de comer. “Não queria deixar de ter, aqui no prato, uma outra dimensão, que é o prazer de comer”, afirmou o secretário-geral da CAP;
  • Paulo Mota, secretário-geral da ANAPO (Associação Nacional dos Avicultores Produtores de Ovos) destacou a capacidade do sector para transformar a procura de proteína numa oportunidade de valorização. “Conseguiu-se a valorização da clara de ovo, que antes era um subproduto”;
  • Renata Nezello, Senior Category Manager da Schreiber Foods, demonstrou como as novas preferências dos consumidores também pressionam os custos de produção. “Os custos da proteína em pó, por exemplo, dispararam pela procura, o que encarece o processo de produção industrial”;
  • A inovação é essencial para aumentar a produção com sustentabilidade e competitividade. “É preciso produzir mais, de forma sustentável”, defendeu Gonçalo Santos Andrade;
  • Pedro Barraco acredita que reforçar a confiança implica explicar melhor os alimentos, a sua origem e os processos de produção. “No fundo, o consumidor português procura compreender com detalhe aquilo que vai consumir, desde a origem até ao ato de consumir”.

Fonte: Expresso.pt

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