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30 anos que mudaram a reciclagem de embalagens em Portugal
2026-07-29
Qualfood

Portugal foi um dos primeiros países europeus a apostar na reciclagem de embalagens. A nova série que assinala os 30 anos da Sociedade Ponto Verde recorda como tudo começou, e como a inteligência artificial já chegou aos camiões de recolha.

Houve um tempo em que não havia reciclagem de embalagens em Portugal. Sem ecopontos, sem hábitos e sem soluções para um problema cada vez mais urgente. Em pouco mais de três décadas, esse cenário mudou por completo: hoje separar embalagens faz parte do quotidiano de milhões de portugueses. É essa transformação que a Sociedade Ponto Verde recorda no primeiro episódio da série que assinala os seus 30 anos. 

Intitulada “Embalagens e Inovação Sempre no Ponto”, a série é composta por 12 episódios e nasce para celebrar três décadas de atividade que, nas palavras da própria organização, não se medem apenas em anos, mas em impacto. O objetivo é mostrar o papel que a inovação e as novas soluções tecnológicas tiveram na evolução da reciclagem de embalagens no país. E o ponto de partida é, naturalmente, o princípio de tudo.

Um dos primeiros sistemas da Europa

A grande transformação começou nos anos 90. Portugal foi o sexto país da União Europeia a criar um sistema de reciclagem de embalagens, pensado desde o início para servir todos os cidadãos. Mais do que uma solução técnica, foi uma mudança de cultura e de hábitos: em poucos anos, o país foi “pintado” de amarelo, verde e azul, as cores dos ecopontos que hoje todos reconhecem.

A Sociedade Ponto Verde descreve-se como filha de uma consciência ambiental que o mundo ganhou num momento de grande transformação da sociedade e do consumo. Trinta anos depois, essa consciência tornou-se um gesto tão natural como qualquer outro do dia a dia.

O conhecimento que mudou o sistema

Um dos marcos aconteceu em 2005, quando a Sociedade Ponto Verde encomendou uma avaliação de ciclo de vida das embalagens, um trabalho desenvolvido no Instituto Superior Técnico. Era preciso perceber, com rigor científico, qual o verdadeiro impacto ambiental de cada opção: uma embalagem de vidro perdida ou retornável, o alumínio, o cartão. O estudo analisou todos os processos, desde o fabrico ao uso, à recolha e à reciclagem, e foi construído à medida da realidade portuguesa.

Do calendário ao comportamento

No início, quase tudo era manual. À medida que as tecnologias de automação e digitalização foram surgindo, o setor acompanhou o ritmo. Na recolha seletiva, por exemplo, os circuitos passaram a ser dinâmicos: em vez de recolher sempre da mesma forma e nos mesmos dias, as rotas passaram a ajustar-se ao comportamento real das pessoas. Como se resume no episódio, “antes a recolha era calendário, hoje é cada vez mais comportamento”.

Inteligência artificial ao serviço da reciclagem

Grande parte desta evolução tem passado pelo RE.SOURCE, o programa de inovação aberta da Sociedade Ponto Verde. Nos últimos anos, foram desenvolvidos vários projetos que recorrem a robótica e a inteligência artificial, da localização de contentores à visão computacional aplicada à triagem de resíduos.

Um dos exemplos nasceu com a Amarsul e com a startup francesa Lixo, que instalou câmaras no interior dos camiões de recolha. O sistema observa em contínuo o que entra na viatura e identifica contaminações no exato momento em que os resíduos são recolhidos, permitindo perceber onde é preciso reforçar a sensibilização junto da população.

Uma história que continua todos os dias

O que começou como um desafio ambiental depressa se tornou numa transformação coletiva. Materiais que antes seguiam para aterro, como certas frações de plástico do ecoponto amarelo, passaram a ganhar nova vida em perfis e equipamentos. Trinta anos depois, como se conclui neste primeiro episódio, os resultados falam por si, e esta história continua a escrever-se todos os dias.

Fonte: Green Savers

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