Uma embalagem sustentável começa muito antes de chegar às nossas mãos: começa na fase de conceção. É esta a ideia que abre o nono episódio de “Embalagens e Inovação Sempre no Ponto”, a websérie com que a Sociedade Ponto Verde assinala os seus 30 anos. Em “Repensar a Embalagem”, a série mostra como o conhecimento científico, a visão industrial e as empresas se juntaram à volta do Pack4Sustain, uma ferramenta que ajuda a criar embalagens mais circulares e preparadas para o futuro.
Da indústria à universidade
O Pack4Sustain foi desenvolvido pela Sociedade Ponto Verde com o CENTIMFE, o Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos, e com a NOVA FCT. “O CENTIMFE é um centro de interface tecnológica e de inovação”, explica o diretor-geral, Rui Tocha. “Trabalhamos muito naquilo que são as necessidades e as dificuldades que as empresas vão sentindo no mercado, seja do ponto de vista organizacional, seja do ponto de vista tecnológico”, com o objetivo de as ajudar a reposicionarem-se no mercado global.
Foi com esse conhecimento que a Sociedade Ponto Verde procurou o centro, para desenvolver “uma solução de design thinking” capaz de dar origem a novas embalagens que recorram ao ecodesign, a novos materiais e a processos de desenvolvimento sustentáveis, “para reduzir os impactos no planeta”. Para Rui Tocha, a parceria entre a Sociedade Ponto Verde, a universidade e o CENTIMFE “é claramente um sucesso” e resultou num projeto “muito interessante e bastante inovador”.
Critérios científicos para avaliar cada embalagem
O Pack4Sustain é uma ferramenta online pensada para os clientes embaladores da Sociedade Ponto Verde, que lhes permite conceber embalagens mais sustentáveis e mais circulares através do ecodesign, explica Graça Martinho, professora e investigadora da NOVA FCT. A ferramenta avalia a sustentabilidade e a circularidade das embalagens e ajuda as empresas a melhorar o seu design, tornando-as mais recicláveis e reduzindo o seu impacto ambiental.
Por trás da ferramenta está um trabalho de investigação. “Para além de uma intensa pesquisa sobre outras ferramentas que já existiam, avaliámos pontos fortes, pontos fracos, lacunas que nos permitiriam inovar”, conta a investigadora. A equipa desenvolveu a metodologia de avaliação, os critérios científicos e os algoritmos, sempre com a Sociedade Ponto Verde por perto: “Estiveram sempre ao nosso lado. Fizemos imensas reuniões, porque iam sempre avaliando, testando.” Essa ligação ao mercado, sublinha Graça Martinho, permitiu “desenvolver um produto final que funciona”.
Do teste à prateleira
Depois da investigação, chegou o momento de perceber como a ferramenta está a ser usada pelas empresas. A MC, a área de retalho alimentar do grupo Sonae, com insígnias como Continente, Continente Bom Dia e Continente Modelo, esteve envolvida desde o lançamento. “Fomos contributores naquilo que foi, no momento da disponibilização da plataforma, a sua testagem e até a sua melhoria”, conta Tânia Lucas, diretora comercial de Marca Própria da MC.
O Pack4Sustain está disponível para todos os clientes da Sociedade Ponto Verde e permite avaliar a reciclabilidade das embalagens. “Temos um compromisso muito sério com os 100% de reciclabilidade”, afirma a responsável. “Pensar a embalagem para a reciclabilidade logo no momento do desenho e da conceção é muito relevante”, acrescenta, e uma ferramenta que ajuda as equipas nesse momento é, nas suas palavras, “muito poderosa”. A relação entre as duas entidades não começou aqui: “Temos feito muitos, muitos projetos com a Sociedade Ponto Verde”, numa parceria que Tânia Lucas descreve como “absolutamente virtuosa”.
Quando o ecodesign chega aos fornecedores
Quando diferentes empresas adotam ferramentas de ecodesign, o impacto multiplica-se. O Grupo Os Mosqueteiros está presente em Portugal há 35 anos, com as lojas Intermarché, Bricomarché e Roady, e as embalagens passaram a ser uma das prioridades da sua marca própria, explica Aline Gonçalves, administradora da Direção de Qualidade e Responsabilidade Social Empresarial. O foco está na otimização das embalagens, para reduzir o seu impacto ambiental.
“Junto do nosso fornecedor, definimos cada vez mais os critérios de ecodesign das embalagens”, conta. “Vamos acompanhando os processos, analisando e ajustando o que há para ajustar.” A parceria com a Sociedade Ponto Verde, acrescenta, “resulta de uma combinação entre proximidade, colaboração e conhecimento técnico”, com recurso, sempre que necessário, ao apoio técnico da entidade gestora.
Quando ciência, empresas e inovação trabalham em conjunto, conclui o episódio, nasce uma nova forma de pensar as embalagens: mais sustentável, mais circular e preparada para o futuro. É também por aqui que passa a reciclagem de embalagens, que começa no desenho, muito antes de a embalagem chegar ao ecoponto.
Fonte: GreenSavers