Portugal continua a enfrentar uma dependência estrutural na produção de cereais, ao mesmo tempo que mantém uma posição confortável — e até excedentária — em setores como o vinho e o azeite. Os dados mais recentes mostram que o país apenas assegura 17% das necessidades internas de cereais, obrigando a importações constantes para garantir o abastecimento de trigo, milho e cevada.
Apesar de alguns investimentos recentes em regadio e modernização agrícola, o setor continua longe da autossuficiência. A volatilidade dos mercados internacionais e os impactos das alterações climáticas tornam esta dependência ainda mais sensível.
Em contraste, o país destaca-se como produtor robusto de vinho e azeite, com volumes que ultrapassam largamente o consumo interno. Portugal é consistentemente um dos maiores exportadores mundiais de vinho, com regiões como Douro, Alentejo e Dão a liderar o crescimento. No azeite, a expansão dos olivais intensivos e superintensivos colocou o país entre os produtores mais dinâmicos da Europa.
Estes setores não só garantem autossuficiência como contribuem de forma decisiva para o saldo positivo das exportações agroalimentares.
A coexistência de défice profundo em cereais e excedente expressivo em vinho e azeite revela um sistema agrícola desequilibrado, moldado por fatores históricos, económicos e ambientais. Especialistas defendem que Portugal deve continuar a reforçar a produção de cereais estratégicos, sobretudo em zonas de regadio, sem comprometer os setores onde já é altamente competitivo.
Fonte: Qualfood