25 de Maio de 2026
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Desafios e soluções para uma aquacultura ambientalmente sustentável
2026-05-25
Qualfood

O crescimento acelerado da aquacultura tem sido essencial para responder ao aumento da procura global por pescado, mas coloca desafios ambientais relevantes. Os impactes associados à produção de aquacultura variam amplamente em função da espécie produzida, do tipo de sistema produtivo e da intensidade da produção. Estudos de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) mostram que a ração e a energia são, na maioria dos casos, os principais contributos para a pegada ambiental destes sistemas.

A melhoria do desempenho ambiental da aquacultura passa por uma abordagem integrada, com especial enfoque na alimentação dos peixes. A origem e o perfil dos ingredientes das rações, a eficiência na utilização dos nutrientes, as práticas de alimentação durante a produção e o papel da inovação tecnológica, incluindo a nutrição de precisão, assumem aqui um papel central. A certificação ambiental surge também como um instrumento de apoio à transparência e confiança dos consumidores, enquadrando uma reflexão sobre como produzir pescado de forma mais eficiente, responsável e ambientalmente sustentável.

Impactes ambientais da produção de pescado em aquacultura

O consumo per capita de pescado mais do que duplicou desde 1960 e a aquacultura foi a principal fonte para satisfazer esta procura. Em 2022, a produção global de pescado atingiu 185,4 milhões de toneladas, sendo 51 % proveniente de aquacultura e ultrapassando a pesca pela primeira vez. A China é o país com a maior produção e em conjunto com a Indonésia, Índia, Vietname, Bangladesh, Filipinas, Coreia do Sul, Noruega, Egito e Chile, contribuem com mais de 90 % da produção global de aquacultura. Apesar dos ambientes costeiros e marinhos serem zonas privilegiadas para desenvolver a aquacultura, a nível global, a maior parte da produção ocorre em ambientes terrestres. Um fator importante é que o que se considera pescado de aquacultura engloba uma elevada diversidade, incluindo mais de 730 espécies produzidas comercialmente, entre peixes, moluscos, crustáceos; e vários tipos de sistemas de produção em relação à sua intensidade (i.e., extensivo, semi-intensivo e intensivo).

O rápido crescimento da aquacultura trouxe desafios ambientais significativos, incluindo a depleção de recursos, poluição marinha e emissões de gases com efeito de estufa (GEE) que contribuem para as alterações climáticas. As águas residuais das explorações de aquacultura podem conter grandes quantidades de nutrientes e sólidos em suspensão, ou estar contaminadas com produtos químicos ou resíduos farmacêuticos. Para além disso, a aquacultura é dependente dos combustíveis fósseis para satisfazer as suas necessidades energéticas das operações, como o bombeamento ou aerificação de água, e a produção de rações, contribuindo com cerca de 0,5 % das emissões globais antropogénicas de GEE.

A metodologia amplamente utilizada para avaliar o desempenho ambiental é a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV). Esta metodologia quantifica os impactes ambientais de um produto ao longo de seu ciclo de vida, abrangendo todas as etapas, desde a extração de recursos para a produção de ração até ao processamento, embalagem, distribuição, utilização e fim-de-vida. Os estudos de ACV sobre sistemas de produção em aquacultura têm mostrado que a ração e a energia são os fatores que mais contribuem para os impactes ambientais e estes impactes dependem diretamente da espécie e da intensidade de produção.

A produção da ração é o fator chave para as alterações climáticas, acidificação, e no uso de energia. A influência da espécie produzida e a sua taxa de conversão alimentar é particularmente determinante para o desempenho ambiental dos sistemas, já que as necessidades nutricionais das espécies variam amplamente, podendo ser herbívoras ou quase exclusivamente carnívoras. Em particular, o cultivo de espécies marinhas extrativas (sem a necessidade de serem alimentadas com ração) e de baixo nível trófico, como bivalves, constitui a alternativa com menores impactes ambientais (i. e., menores emissões de GEE e menor uso de terra e água por unidade de produção).

Espécies como o salmão ou o robalo requerem frequentemente uma ração mais rica em proteínas, que pode incluir farinha e óleo de peixe, soja e outros ingredientes agrícolas. Estes ingredientes geram impactes ambientais a montante, especialmente se provenientes de cultivos relacionadas com a desflorestação ou capturas da pesca de peixe selvagem para a farinha e óleo de peixe. Outras fontes de stress ambiental podem advir da utilização de substâncias tóxicas (por ex., tintas anti-incrustantes), perturbação do fundo marinho devido à acumulação de matéria orgânica, poluição genética devido à fuga de indivíduos que depois se cruzam com indivíduos das populações selvagens, libertação de parasitas ou propagação de doenças. Por outro lado, a poluição de plástico devido, por exemplo, à perda de boias, revestimentos ou redes, é cada vez mais considerada apesar de ser ainda difícil de quantificar este tipo de impactes nos ecossistemas marinhos.

No entanto, a abrangência dos estudos de ACV é ainda limitada. Existem numerosos estudos de ACV sobre salmão do Atlântico, que constitui um tipo de produção relativamente homogéneo e intensivo, enquanto que espécies omnívoras como peixes de água doce (especialmente carpas), que representam a maior parte da produção de aquacultura mundial, estão pouco representadas. E embora a aquacultura proveniente da Ásia represente mais do 90 % da produção global e o pescado seja uma importante fonte de proteína para a segurança alimentar desses países, os sistemas de aquacultura da Ásia estão sub-representados nos estudos de ACV.

Fonte: TecnoAlimentar

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