O Painel dos Riscos Biológicos da EFSA (BIOHAZ) adoptou um parecer sobre a extensão da contribuição da carne de frango de mesa (“broiler”) para os casos humanos de campilobacteriose, por solicitação da Comissão Europeia.
Os peritos concluem que a manipulação, preparação e consumo de carne de frango pode contribuir directamente para 20 a 30% dos casos humanos de campilobacteriose na União Europeia. Já 50% a 80% pode ser atribuído ao reservatório da galinha.
Uma análise aos estudos realizados a casos de controlo, sugere uma variedade de factores de risco que incluem o transporte, o contacto com o animal, o alimento e a água ingerida não tratada. Estes estudos sugerem igualmente que, os factores de risco dependem também da espécie de Campylobacter.
Nota-se que estudos recentes estimaram que entre 24-29% dos casos humanos podem ser atribuídos à manipulação, à preparação e ao consumo de carne de frango.
Os estudos foram baseados em investigações de surtos, que sugeriram que um quarto desses surtos pode ser atribuído ao frango. Para dois terços dos surtos, cuja fonte era desconhecida.
A baixa proporção de casos humanos relacionados com a carne de frango, identificada por estudos de casos de controlo, quando relacionadas com a estirpe microbiana pode ser explicada por diversos factores. Existem diferenças no ponto da atribuição (reservatório versus ponto de consumo). As estirpes do reservatório da galinha podem infectar seres humanos por meios diferentes para além do alimento, por exemplo, pelo ambiente ou pelo contacto directo.
Os resultados podem ser inclinados por avaliações imprecisas da exposição, confundidos pela imunidade ou por dados incompletos no que respeita aos reservatórios.
Os dados para a atribuição da fonte na UE são limitados, e não disponível para a maioria de Estados-membros, para além de existirem indicações de que a epidemiologia do campilobacteriose humana difere de região para região. Por este motivo, o painel de BIOHAZ sugere que as conclusões desta opinião científica devem ter uma interpretação cuidada.
Na Europa, a campilobacterose é a doença infecciosa mais comum transmissível dos animais para os humanos através dos alimentos, e o parecer confirma descobertas anteriores em que a carne de frango parece ser uma das principais, senão a principal, fonte de infecção humana. O Painel dos Riscos Biológicos (BIOHAZ) estima que o número de casos humanos actuais de campilobacterose é provavelmente muito mais elevado que o difundido oficialmente.
O painel recomenda uma fiscalização activa da campilobacteriose em todos os Estados-membros.
Para uma melhor compreensão da epidemiologia molecular do campilobacteriose e para uma melhor atribuição da sua origem, o painel de BIOHAZ recomenda também, que seja obtida uma colecção representativa dos isolados dos seres humanos e dos reservatórios reais, sujeitada a genotipagem, em todos os Estados-membros, e armazenada.
São também recomendadas pesquisas futuras, com o objectivo de identificar marcadores da virulência da Campylobacter, propriedades de sobrevivência e da ecologia, a fim de determinar o impacto da imunidade adquirida na epidemiologia do campilobacteriose na UE.
Fonte: EFSA