As autoridades mundiais reforçam a sua atenção ao bisfenol A (BPA), químico presente no plástico e repetidamente apontado como nocivo e potencial causador de cancro e infertilidade.
Além dos riscos que lhe estão associados, o BPA está presente em gestos habituais do dia-a-dia como o de beber de uma garrafa de plástico ou de um biberão.
A ASAE francesa, na passada sexta-feira, admitiu que existem "sinais de alerta" sobre os efeitos tóxicos do químico presente em biberões, enlatados, garrafas de plástico e chupetas.
Antes deste alerta, já a Agência Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) tinha ouvido as preocupações da "Food and Drug Administration" (FDA) - agência que regula comida e medicamentos nos EUA - sobre os efeitos do BPA nos fetos e em crianças e agendou uma reunião com todos os estados-membros para o início de Abril.
A EFSA admite a "relevância de um novo estudo sobre os possíveis efeitos no desenvolvimento neurológico do BPA" e compromete-se a rever a dose diária tolerável no organismo, caso seja necessário.
Um relatório da “Agence Française de Sécurité Sanitaire des Aliments” (AFSSA) recorda aos consumidores que devem "evitar aquecer a altas temperaturas alimentos em biberões e recipientes em policarbonato (plástico que contêm BPA)", embora não fixe uma temperatura máxima recomendada.
Com base numa experiência em ratinhos, os peritos franceses apontam para a existência de riscos na exposição "in utero" e pós--natal, mesmo numa dose inferior "à tolerável fixada pela EFSA" - 50 microgramas/kg /dia.
Vários estudos apontam que o BPA imita a actividade das hormonas naturais, alterando o equilíbrio endócrino. Esta alteração pode elevar os riscos de danos cerebrais estruturais, obesidade, problemas reprodutivos, cancro, doenças cardiovasculares e perturbações comportamentais.
No entanto, a comunidade científica ainda não chegou a um consenso sobre como o contacto dos alimentos com o BPA afecta as pessoas, mas são vários os estudos que referem que, os plásticos de policarbonato riscados e a exposição a altas temperaturas são factores que podem aumentar o risco de migração do BPA para os alimentos.
No Canadá, o uso do BPA foi proibido nos biberões em 2008. Os EUA autorizam-no, mas as empresas passaram a produzi-los sem bisfenol A, depois de uma recomendação da FDA nesse sentido.
A administração Obama deu 30 milhões de dólares para investigar a substância, após detectar BPA na urina de 90% dos americanos.
A FDA divulgará as conclusões finais dentro de 24 meses.
Fonte: ionline