Os hospitais e centros de saúde vão passar a registar todos os casos de intoxicações alimentares num sistema informático.
Segundo Mário Durval, presidente da Assembleia Nacional dos Médicos de Saúde Pública e coordenador deste projecto, actualmente não existem dados sobre estas situações nos hospitais e centros de saúde.
O programa, que para já vai a ser aplicado na região de Lisboa, permitirá, pela primeira vez, fazer uma radiografia destes problemas.
A nova ferramenta deverá começar a ser aplicada antes do final do ano.
A partir do momento em que este sistema comece a funcionar, será possível detectar o número de pessoas que são afectadas por intoxicações alimentares causadas, por exemplo, pelo consumo de bivalves da região de Lisboa e Vale do Tejo. Uma vez que, só na zona do Tejo, são apanhadas ilegalmente cerca de 5 mil amêijoas.
Mário Durval explicou ainda que a amêijoa está muito exposta a todo o género de poluentes, não só matéria orgânica e microrganismos patogénicos como também, embora com cada vez menos expressão, a metais pesados. E o seu consumo feito sem controlo de qualidade pode, sobretudo, provocar intoxicações alimentares.
As consequências de uma intoxicação alimentar podem ser graves. Os sintomas podem ir de uma ligeira indisposição, vómitos e diarreia até uma situação extrema, de morte.
Segundo Mário Durval, neste momento é impossível saber o número de intoxicações alimentares por amêijoas em Portugal, uma vez que não existem dados contabilizados.
O especialista de saúde pública salientam que é importante resolver esta situação porque se trata de uma doença evitável e que pode ser prevenida.
Neste momento, a Saúde Pública combate este problema fazendo vigilância aos restaurantes e sensibilizando as pessoas para não comprarem bivalves que não venham das estações de depuração.
Fonte: Diário de Notícias