Médicos alertam para a necessidade de atenção aos rótulos dos produtos, por causa dos alergénios, muitas vezes escondidos noutros alimentos, como é o caso da proteína de leite que se encontra no fiambre, em bolachas ou na gelatina.
Este alerta surge, uma vez que as reacções alérgicas aos alimentos são das mais graves e a primeira causa de choques anafilácticos na comunidade, que podem levar à morte.
Os distúrbios imunológicos de hipersensibilidade alimentar, são cada vez mais comum e acompanha a tendência do aumento das reacções alérgicas em geral.
A sensibilização aos alimentos é cada vez mais responsável por casos clínicos graves, potencialmente fatais, sendo a primeira causa de anafilaxia ao nível da comunidade.
As alergias alimentares mais comuns, nas crianças, são a leite, ovos, peixe e cereais. No entanto, no que refere o leite, esta é, normalmente, uma alergia transitória. Isto é, apesar de cerca de 2% do total das crianças apresentar alergia à proteína do leite de vaca, a alergia, na esmagadora maioria, desaparece ao final do primeiro ano de vida. A partir dos três anos, apenas 20% continuam com reacções alérgicas.
O grande problema é os alergénios ocultos, ou seja, proteína do leite que esteja escondida noutros alimentos, como bolachas, pastéis, fiambre ou presunto. Podem desencadear reacções muito graves e levar à morte, mesmo quando a presença da proteína é muito pequena, referem este médicos.
Para estes médicos, a crescente utilização de alergénios, muitas vezes de forma oculta, em alimentos processados industrialmente, tem contribuído para o aumento da incidência de reacções alimentares graves que decorrem de uma ingestão acidental. Daí o seu apelo à leitura dos rótulos dos produtos.
Os adolescentes são, nestes casos, o grupo mais complicado, pois nem sempre andam com o kit de emergência (uma injecção de adrenalina), e o consumo de bebidas alcoólicas, típico nesta idade, pode ser fatal, uma vez que podem conter leite na sua composição.
Já nos adultos, os alimentos que mais causam alergias são os mariscos, frutos secos e os frutos frescos.É frequente a existência de sensibilização simultânea às proteínas dos pólens, reactividade cruzada, cujos sintomas são garganta inchada que mal se consegue respirar, que estão também presentes nos alimentos de origem vegetal, frutos ou legumes, o que explica o aparecimento da alergia alimentar.
O tratamento recomendado é, simplesmente, deixar de consumir aquilo que lhes causa uma reacção no organismo.
O leite, é a excepção, em que se faz a indução de tolerância oral. Começa a dar-se à criança quantidades mínimas de leite, que depois vão aumentando progressivamente, até que ela deixa de fazer reacção a pequenas quantidades.
Este tratamento, de acordo com a experiência destes médicos, melhora substancialmente a qualidade de vida destes alérgicos.
Fonte: DN Ciência