Recorrendo a uma tecnologia disponibilizada por uma empresa local, um investigador da Universidade Estadual de Iowa, nos Estados Unidos da América (EUA), está a desenvolver um método rápido para detectar e identificação genética de Salmonella em géneros alimentícios.
Byron Brehm-Stecher, professor assistente de ciências dos alimentos e nutrição humana, quer substituir o actual sistema de detecção de Salmonella com uma nova abordagem que pode fornecer resultados em poucas horas, contrastando com os métodos convencionais, que necessitam de dias.
Actualmente, a identificação genética de microrganismos patogénicos é feita com recurso a métodos tradicionais de sequenciação de DNA, desenvolvidos pela primeira vez em 1980.
Segundo Brehm-Stecher, hoje em dia, para realizar uma sequenciação de DNA, e necessário realizar anteriormente uma Reacção em Cadeia da Polimerase (PCR) na totalidade do DNA extraído da amostra de alimentos.
Este método permite amplificar o DNA, o que possibilita verificar a presença ou ausência de patogénicos na amostra. Contudo, para obter informações mais específicas sobre os microrganismos, como, por exemplo, a estirpe, é necessário realizar ciclos de reacções de sequenciação, semelhantes a uma longa reacção de PCR, que só permitem obter resultados cerca de dois dias depois.
Brehm-Stecher realçou que este método não é rápido o suficiente para acompanhar o ritmo de produção da indústria alimentar e das redes de distribuição.
Identificar rapidamente as estirpes específicas pode evitar que os alimentos contaminados chegam ao consumidor final, prevenindo a ocorrência de intoxicações alimentares.
Já estão disponíveis no mercado algumas dispositivos de sequenciação genética bastante avançados, mas que ainda são bastante complexo e caros para utilização rotineira na indústria de alimentos, explicou Brehm-Stecher.
Um novo método, capaz de colmatar as lacunas existentes entre o tradicional PCR e os novos mecanismos de sequenciação genética, poderia reforçar a segurança alimentar, fornecendo resultados rápidos, relativamente à ausência ou presença de patogénicos, e permitindo caracterizar geneticamente os isolados.
O método, que está a ser desenvolvido na Universidade Estadual de Iowa, consiste numa reacção rápida de PCR, que amplifica um gene específico da Salmonella, gerando milhões de cópias de marcadores de DNA fluorescentes, em apenas 20 minutos.
Posteriormente, em vez dos ciclos de sequenciação, o produto da PCR é purificado durante cinco minutos, é lhe adicionado um reagente denominado SNAP71 e o DNA é aquecido durante 10 minutos a 100 ºC.
Esta reacção química corta os marcadores de DNA da Salmonella em todas as ligações que contém adenina (A) ou guanina (G) na cadeia de DNA.
O resultado é um aglomerado complexo de fragmentos de marcadores fluorescentes de DNA de todos os tamanhos. Estes fragmentos são então separados, de acordo com o seu tamanho, através de um campo de alta tensão numa matriz polimérica (gel), contida em tubos capilares. Os fragmentos são detectados quando passam em frente de uma fonte de luz intensa.
As estirpes de Salmonella apresentam algumas diferenças nas sequências de DNA, produzem diferentes padrões de fragmentos, o que permite a diferenciação de estirpes.
Todos estes processos podem ser realizado em cerca de duas horas e meia.
Os investigadores estão entusiásticos com os progressos rápidos deste projecto, que está cada dia mais perto do seu objectivo, que é uma detecção e identificação célere de microrganismos patogénicos para o homem.
Fonte: Science Daily