A EFSA aprova o uso desta planta, de origem americana, para extrair os edulcorantes denominados glicosídeos de estivol.
A Stevia rebaudiana Bertoni é utilizada desde à muito no sul da América, zona de origem, para adoçar os alimentos. É um arbusto pertencente ao género Stevia, igual ao girassol.
Os derivados desta planta, denominados de forma genérica glicosídeos de estiviol, têm um conteúdo calórico muito baixo e superam entre 40 a 300 vezes a capacidade de adoçar da sacarose (açúcar comum).
A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) acaba de pronunciar-se a favor do seu uso, depois de em 2000 o rejeitar por considerar que não existiam provas suficientes que demonstrassem a sua inocuidade.
Há alguns meses, a Agência Francesa de Segurança Alimentar (AFSSA) aprovou o uso da Stevia no país, de forma unilateral, após permitir a utilização de um edulcorante que a contém numa percentagem muito elevada.
A EFSA rectificou esta decisão após aprovar a sua comercialização e o seu uso em produtos livres de açúcar ou baixos em calorias, como certos refrescos e produtos de confeitaria sem açúcar.
A autorização chegou depois dos analistas toxicológicos terem confirmado que estas substâncias edulcorantes derivadas da Stevia, os glicosideos de estiviol, não são nem cancerígenas nem genotóxicos (alteradores do material genético), nem podem relacionar-se com efeitos adversos para a saúde humana, como o desenvolvimento dos mais pequenos.
Os solicitadores da autorização indicaram que todos os produtores seguem os mesmos passos para extrair os glicosídeos de estiviol das folhas da planta Stevia rebaudiana Bertoni, ainda que haja algumas variantes nas etapas finais de purificação e separação.
Diferentes estudos avaliaram a estabilidade dos glicosídeos de estivol em distintas condições de armazenamento (pH, humidade, temperatura) e matrizes alimentares.
O painel de investigadores da EFSA constatou que, com altas temperaturas, como as que se atingem durante a assadura, poderiam originar a degradação parcial dos edulcorantes.
Por outro lado, os estudos metabólicos com glicosídeos de estivol demonstram que não há acumulação de derivados destes produtos no corpo após a ingestão. Os glicosídeos de estiviol são mal absorvidos por via oral, ainda que sejam hidrolisados pela microflora do intestino.
O organismo absorve grande parte do hidrolisado, reacção com o ácido glucorônico e elimina-o através das fezes. O glucorônico de estiviol é eliminado através da urina.
Após os estudos prévios de estabilidade, degradação, metabolismo e toxicidade, o painel de Aditivos do organismo europeu estabeleceu um limite de ingestão diário destas substâncias (IDA) de 4mg/kg de peso corporal, a mesma recomendação de ingestão emitida por outro organismo internacional, o Comité de Aditivos da FA/OMS (JEFCA).
Este limite de IDA pode ser excedido por adultos e crianças, se estes edulcorantes forem usados nos limites máximos propostos pelos solicitantes.
Fonte: ConsumaSeguridad