O furano, utilizado para fabricar compostos químicos, está presente nomeadamente no fumo do tabaco e na gasolina. No entanto, apesar desta aplicação industrial, de há uns anos para cá foram detectados em determinados grupos de alimentos concentrações desta substância.
Os últimos resultados dos estudos realizados indicam que o café é um dos alimentos com maior concentração, entre 60 e 4000 microgramas por kilo de peso corporal.
Os produtos à base de cereais, como bolachas tostadas, apresentaram furano, uma média de 25 microgramas por kilo de peso corporal.
As técnicas culinárias utilizadas em uso doméstico, como a fritura, podem fazer variar a concentração final desta substância nos alimentos.
O furano forma-se durante a preparação doméstica de pratos que contêm ingredientes crus ricos em carbohidratos. Quando submetidos a temperaturas a partir dos 100ºC, aumentam as possibilidades de concentração de furano.
São as conclusões de um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Alimentação da Dinamarca e a Agência de Alimentação e Meio Ambiente (FERA) britânica. Os resultados, no entanto, variam no caso dos alimentos prontos a comer, como sopas, molhos ou alimentos infantis, uma vez que ao aquece-los no domicílio reduz-se a concentração de furano por evaporação. Quanto maior é a temperatura, maior é a evaporação.
A uma temperatura de 90ºC pode perder-se até 50% da concentração de furano. Nestes casos, nem o tempo nem o método de cozedura é determinante, só é a temperatura.
Também se detecta a presença de furano no ar doméstico quando se frita batatas ou quando se faz café, segundo informações do último boletim da Agência Catalã de Segurança Alimentar (ACSA).
Por este motivo, os investigadores recomendam a utilização do forno ou do microondas, já que estes métodos libertam menos furanos que as frituras.
O furano pode chegar ao organismo humano através da ingestão de alimentos que ricos em carbohidratos ou azeites poliinsaturados, e que tenham passado por um processo de cozedura. Outra via é a inalação de vapores que se formam durante o tratamento térmico.
Segundo um estudo elaborado pela EFSA, em que participaram 14 Estados Membros da União Europeia, que enviaram um total de 2908 resultados de 20 categorias distintas de alimentos, a ingestão média alcança nas crianças 1 micrograma por kilo de peso corporal.
Para os adultos, os resultados variam, e esta quantidade situa-se em 0.78 microgramas por kilo de peso corporal, excepto para os dinamarqueses, cuja média é de 0.45 microgramas por kilo.
O alimento com mais concentração para um adulto é o café. Os investigadores reforçam que representa entre 75% e 97% da ingestão total de furanos, sobretudo, no caso do café em grão, mais do que no café instantâneo.
Segue-se o pão tostado industrial e, com um conteúdo inferior, produtos como a pizza e as batatas fritas. Os sumos de fruta, sopas, molhos e a cerveja têm um menor índice de ingestão. As crianças estão expostas a estas substâncias através de cereais de pequeno-almoço. Outros alimentos como o pão e os bolos também representam um transporte de furanos.
O furano divide a categoria com as dioxinas, já que ambos são considerados contaminantes orgânicos persistentes no meio ambiente, substâncias muito tóxicas que se dissolvem melhor em gorduras que em água.
Considerado pela Agência Internacional do Cancro (IARC) como possível cancerígeno para os humanos, em estudos realizados com animais, o furano foi identificado como um tóxico que afecta o fígado e os rins.
A EFSA crê que são necessários mais dados, tanto de toxicidade como de exposição em humanos, para poder realizar uma evolução real do risco, Isto explica que durante os últimos anos a Agência se tenha dedicado a realizar um exaustivo estudo, no qual se recolheram dados acerca da presença de furanos em alimentos submetidos a tratamento térmico.
Existem mais de 130 formas distintas de furanos com capacidade para provocar efeitos adversos, não só no organismo humano, como também no meio ambiente. Na maioria dos casos, o risco procede dos átomos de cloro que contêm. Ainda que a informação sobre estas substâncias seja escassa, foi possível determinar que a maioria resulta de subprodutos de certos processos industriais e caseiros.
Fonte: Consumaseguridad