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Filetes de pedaços de carne "colados"
2010-05-14
Qualfood

Os países membros da União Europeia podem comercializar e utilizar uma “cola” alimentar para unir em filetes de uma só peça, diversos pedaços de carne que, de outra maneira, só poderiam ser aproveitadas como carne picada.

Esta foi a aprovação feita pela Comissão Europeia depois de receber o aval da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), que declarou que o produto é seguro e pode ser considerado como mais um aditivo.

Uma proteína fibrilar, a fibrina, actua como adesivo e converte diferentes pedaços de carne numa peça única, que quase não se detecta as uniões. O consumo desta proteína, que não associa cor nem sabor, não prejudica a saúde.

No âmbito alimentar, a fibrina interactua com o colagénio, outra proteína fibrosa formadora do tecido conjuntivo animal, e “cola” os diferentes pedaços de carne.

Esta substância é capaz de manter unidos pedaços de carne procedentes de diferentes espécies animais (carne de frango, cabrito, e inclusive lagosta). Os seus inventores consideram-na uma vantagem para o consumidor, ainda que o principal beneficiário seja a indústria cárnea, obrigada a destinar os restos das peças, ocasionalmente de boa qualidade, ao uso de carne picada.

Com a fibrina, estas sobras poderão converter-se em filetes, com o consequente incremento económico dos benefícios. Por outro lado, salienta que as indústrias cada vez mais automatizadas, dirigidas a um mercado de consumo muito “standard” , de peças de igual peso, forma e tamanho, podem obtê-las desta maneira.

Os seus responsáveis manifestam também que, este produto amplia as possibilidades criativas dos cozinheiros, que podem utilizá-lo para criar peças novas.

Da mesma forma, seria possível compor filetes híbridos a partir de diferentes pedaços de carne, como filetes de porco e frango, pelo que, o desenvolvimento de novas texturas e sabores está garantido.

Segundo expressão os seus fabricantes, desta forma está aberta uma nova linha de trabalho para o sector cárneo, que pode oferecer novos produtos a preços competitivos, sem que o sabor e a qualidade sejam diminuídos, com peças de carne muito saborosas e grandes.

Para além disso, o produto pode ser congelado sem nenhuma consequência, no entanto os receios do consumidor são dirigidos para outro ponto. Advertem para o facto de que, um sistema com estas características poderá converter-se numa potente ferramenta de fraude para a indústria alimentar.

Para o seu uso industrial, recorre-se ao plasma de bovino ou porco, do qual se extraem o fibrogénio e a trombina, cuja reacção forma a fibrina.

Os seus inventores reforçam que é um produto natural, patenteado por um organismo público holandês, utilizado nestes país e nos Estados Unidos acerca de 15 anos.

Em 2005, a EFSA já se manifestou a favor deste produto e determinou que o seu uso não apresentava riscos do ponto de vista da segurança alimentar. No entanto, nem todos os países comunitários estavam de acordo.

De qualquer forma, a rotulagem dos produtos cárneos fabricados com esta substância deverá especificar de forma obrigatória que a carne foi unida com este produto, para que o consumidor possa decidir.

Fonte: Consumaseguridad/p>

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