Os adeptos da culinária saudável sabem muito bem quais os benefícios dos alimentos orgânicos - aqueles cultivados e produzidos sem o uso de aditivos químicos e agrotóxicos.
No entanto, investir neste tipo de frutas, legumes, carnes e até sumos ainda custa caro e é privilégio de poucos.
Um bom começo para mudar os hábitos à mesa, sem pesar muito no bolso, seria substituir os campeões em agrotóxicos pelas suas versões orgânicas, uma vez que, de acordo com estudos o consumo diário destas substâncias, principalmente os corantes encontrados em alimentos industrializados, podem ter relação com distúrbios psicológicos, alérgicos e a longo prazo reunir as condições para o desenvolvimento de cancro, alerta Livia Zimmermann da Associação Brasileira de Nutricionistas.
Comer uma salada de tomates, nos dias de hoje, pode ser uma aventura graças aos seus níveis de contaminação. Se estiverem atentos, refere a nutricionista, pode-se observar uma película meio esbranquiçada na casca do tomate, sinais da presença de aditivos químicos.
Trocar o tomate convencional pelo orgânico, portanto, pode valer a pena, especialmente no prato das crianças. Sabe-se que os efeitos dos agrotóxicos são acumulativos - por isso, de acordo com os especialistas, quanto mais tarde iniciarmos este contacto melhor.
O tomate lidera o “top” da contaminação, mas existem outros neste “ranking” como o morango, a melancia, o melão, a abóbora, enfim as frutas rasteiras, além do mamão e das verduras.
No geral, nos cultivos tradicionais, estes alimentos recebem uma quantidade grande de químicos, por serem mais susceptíveis à acção de pragas.
Segundo Fernanda Pisciolaro, nutricionista da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), os cuidados devem ser redobrados com alimentos que se come com a casca e com aqueles que não têm casca, como morango.
Nem as carnes vermelhas escapam dos alimentos que merecem atenção. As hormonas de crescimento e antibióticos usados na criação bovina podem causar prejuízos ao organismo.
O mesmo já não se verifica com a carne orgânica, resultante de um gado criado em pasto orgânico, com alimentação orgânica e sem o uso de medicamentos alopáticos.
Directores da associação de certificação de orgânicos, o Instituto Biodinâmico (IBD), garantem que os alimentos orgânicos contêm uma concentração mais elevada de nutrientes, reforçando que em 2005, foram publicados cerca de 41 estudos, pela Soil Association, da Inglaterra, que atestavam uma presença maior de vitamina C, magnésio e fósforo nos alimentos orgânicos.
A laranja, por exemplo, contém 12% mais vitamina C e menos resíduos de nitratos em relação à convencional. Essa maior concentração de nutrientes, segundo os especialistas, pode observada também no leite orgânico, que apresenta maior quantidade de cálcio e vitaminas.
Para ser considerado orgânico, o alimento deve seguir alguns padrões essenciais de cultivo e colheita. Não podem ser utilizados nem agrotóxicos nem agentes químicos, como os pesticidas.
Normalmente, os produtos vendidos em supermercados apresentam um selo de certificação, desde que tenham, no mínimo, 95% de ingredientes orgânicos. Para certificar um produto, existem directrizes que vão da produção primária à industrialização, armazenamento e transporte do produto.
O selo vale tanto para frutas e vegetais, quanto para lacticínios e carnes.
Fonte: Redação Terra