Cerca de metade dos porcos nascidos em Portugal são filhos de varrascos, machos para reprodução, do maior centro de inseminação em suínos do país, instalado em Santiago do Cacém, que produz 350 mil doses anuais para inseminar as fêmeas.
O Centro de Inseminação Artificial funciona desde 1997 e foi criado pelo Agrupamento de Suinicultores do Litoral Alentejano, que detém agora 55 por cento da empresa, sendo os restantes 45 por cento detidos pela holandesa TOPIGS.
A inseminação artificial é hoje em dia o método utilizado pela generalidade dos suinicultores, porque, explicou o responsável deste centro, permite fazer uma “selecção genética”, cruzando os animais com as “melhores características”.
Assim, os produtores rentabilizam também os varrascos, uma vez que, pelo método natural, um macho pode copular uma ou duas vezes por semana, enquanto no Centro de Inseminação Artificial do Litoral Alentejano o mesmo animal no mesmo período de tempo pode dar origem a 80 ninhadas.
A sanidade, a uniformidade dos animais criados e o nível genético dos animais são apontados como garantias da qualidade, algo que, para este responsável, não poderia ser garantido numa produção natural.
Na área onde estão os varrascos e onde é feita a recolha do sémen, apenas entram os técnicos, devidamente equipados e com uma roupa diferente da usada no exterior do edifício e mesmo os veículos que transportam o produto são desinfectados à entrada da unidade.
Estes animais, que dão origem a uma ou duas ninhadas por semana cada um, não chegam a contactar com uma fêmea ao longo dos seus três anos de vida.
Em 2007 este centro realizou uma parceria com uma multinacional holandesa, que trabalha na área da selecção genética, e desde essa altura os dados dos animais estão a ser inseridos numa base de dados mundial, que cruza dados e aconselha ao cruzamento de determinados exemplares, o que resulta numa "melhor qualidade" da produção de carne.
As características que definem a "qualidade" das diferentes raças de porcos que produzem, segundo explicou, são a "conformação, o músculo, a capacidade de transformar alimento em carne" e ainda "o número de leitões nascidos".
Actualmente, o centro do litoral alentejano, que tem uma facturação anual de um milhão de euros, emprega 22 trabalhadores, tem cerca de 170 varrascos e ampliou a capacidade recentemente para 200, num investimento que rondou os 500 mil euros.
Segundo avançou o responsável deste centro, a intenção é continuar a crescer, estando em curso a negociação de uma parceria com uma cadeia de distribuição de carne de porco a nível nacional, para a qual o centro vai reproduzir especificamente uma determinada raça estrangeira.
Fonte: Lusa