A concorrência de ligas metálicas e, sobretudo, do plástico, reduziu, de forma acentuada, a procura da colher de pau, que também teve como adversário a deficiente interpretação de normas legais.
A legislação não proíbe as colheres de madeira, mas condiciona a sua utilização em função do estado de conservação, diz, à agência Lusa, um técnico da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), admitindo, porém, que «pode ter passado a falsa ideia» de que é um utensílio proibido nos restaurantes e estabelecimentos similares.
Se até há cerca de 20 anos era rara a família que, em Benfeita, no concelho de Arganil, não tinha pelo menos um colhereiro, hoje já quase não existe neste conselho quem faça colheres de pau.
No entanto, a agonia das colheres de pau de Benfeita começou muito antes da publicação da referida legislação. Teve início quando a concorrência do plástico lhes impôs uma luta desigual.
De acordo com o presidente da Junta de Benfeita , as colheres de pau eram como que um ícone da freguesia, do concelho e até da Beira Serra, constituindo mesmo uma receita importante para a economia local.
As colheres de plástico, nos mais diversos e sedutores feitios, tamanhos e cores, eliminaram o mercado das colheres de pau.
A maior parte dos colhereiros de Benfeita abandonaram por completo e, em grande parte dos casos, já só trabalharam através da cestaria de verga e do artesanato.
Mas também esta actividade, refere o autarca, começa a caminhar para a extinção.
Fonte: Lusa/Sol