A União Europeia (UE) deverá apresentar, no mês de Julho, uma proposta para deixar ao critério de cada Estado-membro a decisão de cultivar ou não Organismos Geneticamente Modificados (OGM), sempre após a validação científica de Bruxelas dos produtos propostos à Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA).
Para o novo comissário da Saúde e Defesa do Consumidor, John Dalli, este é um tema "delicado", para o qual não tem existido consenso no Conselho Europeu, razão pela qual surge esta abertura.
Vasco Cal, do Gabinete de Conselheiros Políticos Europeus, salientou "que tudo se orienta para deixar os países desenvolver a experimentação relativamente aos OGM como entenderem, os que quiserem proibir proíbem, os que quiserem uma produção limitada fazem-na e os que quiserem uma produção mais larga também”.
A ideia foi avançada em Março, quando Bruxelas autorizou cinco novos produtos transgénicos depois de um bloqueio de 12 anos - o cultivo da batata Amflora para utilizações industriais, fécula de Amflora para alimentação animal e três produtos de milho geneticamente modificado.
A proposta que dá mais liberdade aos Estados-membros deverá ser adoptada em Julho, mas ainda não há detalhes sobre mudanças nas regras.
Vasco Cal acredita que a nova abordagem poderá resultar em mais "know-how e oportunidades de estudo", em terreno que tem sido pouco fértil.
Na Europa, o cultivo de transgénicos caiu de 107,7 mil hectares para 94,7 mil em 2009, contra o cultivo global de 134 milhões de hectares num sector liderado por EUA, Brasil e Argentina. Em Portugal, o único OGM cultivado é o MON810, milho modificado para resistir ao perfurador de milho europeu (Nubilalis de Ostrinia) e autorizado pela EFSA em 1998.
Na opinião de Viriato Soromenho-Marques, coordenador científico do programa Gulbenkian Ambiente, a introdução dos transgénicos deveria ser mais cautelosa. Viriato Soromenho-Marques salientou ainda que "é impressionante a forma como algumas companhias regimentam cientistas e a escassez de literatura técnica sobre o assunto é assustadora".
Fonte: iOnline