Um novo método permite detectar larvas de Anisakis em qualquer tipo de pescado, incluíndo pescado fresco, congelado ou mesmo em conserva. Fruto de um projecto de investigação, este sistema baseia-se em técnicas moleculares e supera as limitações dos métodos tradicionais.
O novo método, para além de permitir a detecção de larvas de Anisakis, permite também detectar outros parasitas como Pseudoterranova, Contracaecum e Hysterothylacium. A sensibilidade deste método é muito elevada, permitindo a detecção dos referidos parasitas mesmo que se encontrem em quantidades muito reduzida no produto em análise, explica Montserrat Espiñeira, co-autor do estudo.
É um método rápido e fiável, mas a sua principal mais valia é o facto de poder ser aplicado em qualquer produto da pesca, independentemente do grau de transformação a que foi submetido.
Os métodos utilizados até ao momento para detecção de larvas de Anisakis são a inspecção visual, a transiluminação e a digestão por suco gástrico artificial. Estes sistemas tradicionais não podem analisar as espécies de grandes dimensões, ou ser aplicados aos produtos transformados.
Estes parasitas pertencem á família Anisakidae, tal como os parasitas dos géneros Pseudoterranova, Contracaecum e Hysterothylacium. As espécies com maior impacto nas infecções parasitárias no ser humano são Anisakis simplex e Pseudoterranova decipiens e, com impacto menor, Contracaecum osculatum e Hysterothylacium aduncum.
A presença de larvas de Anisakis no tecido muscular e vísceras, tem sido descrita em muitas espécies de peixes e cefalópodes. Os peixes mais afectados por este parasita são bacalhau, pescada, cavala, sardinha, anchova, salmão, arenque, atum, entre outros.
Os níveis de prevalência dos parasitas no pescado variam muito e dependem de factores como espécie, localização geográfica, época do ano e características individuais de cada exemplar considerado. O ser humano é apenas um hospedeiro acidental que surge na cadeia alimentar.
A anisaquíase é uma doença gastrointestinal que afecta as pessoas quando estas consomem pescado contaminado cru, insuficientemente confeccionado ou submetido a tratamento que não garanta a eliminação das larvas.
Os sintomas clínicos desta doença passam pelas dores abdominais, náuseas, vómitos e diarreia. Alem disso, as larvas podem provocar reacções alérgicas que podem ir da urticária a reacções anafiláticas graves.
Fonte: SINC