Investigadores financiados pela União Europeia (UE) constataram que temperaturas acima de 16 °C podem causar deformidades ósseas no salmão juvenil.
Os resultados do estudo foram publicados na revista BMC (BioMed Central) Fisiologia.
As disfunções da coluna vertebral muitas vezes ocorrem com relativa frequência em peixes de viveiro e representam um risco significativo, tanto para a saúde, como para a produtividade do sector da aquicultura.
Infelizmente, não existem dados suficientes sobre os mecanismos moleculares subjacentes às deformidades esqueléticas dos peixes, informações que poderiam ajudar a resolver este problema.
Os investigadores envolvidos no estudo decidiram ampliar a base de conhecimentos relacionados com esta questão e estudaram o metabolismo ósseo e a patogénese das fusões vertebrais no salmão atlântico (Salmo salar).
Os investigadores criaram 400 salmões a uma temperatura de 10 °C e mais 400 a 16 °C. Os piscicultores costumam utilizar água morna para aumentar a taxa de crescimento dos peixes.
Os dois tanques de diferentes temperaturas foram observados por um período limitado para que os dados fossem documentados e para garantir que as diferenças se deviam à temperatura da água.
Com efeito, o estudo revelou que a produção de osso e cartilagem foi alterada nos peixes criados a alta temperatura e foi detectada uma grande taxa de malformações no mesmo grupo. Este grupo de peixes cresceu mais rápido, mas mais de um quarto (28%) apresentaram evidências de deformidades ósseas, enquanto no tanque que continha água a 10 ºC o valor era de 8%.
O co-autor do estudo, Dr. Harald Takle, da Universidade Norueguesa de Ciências da Vida, explicou que “os resultados apontam claramente para um rápido crescimento induzido pela temperatura, porém esta afecta seriamente a transcrição de genes de células ósseas, osteoblastos e condrócitos, alterando a estrutura e a composição dos tecidos”.
Os investigadores realizaram estudos sobre o salmão com anomalias vertebrais e constataram que os processos de deformação são caracterizados por alterações na regulação celular e molecular semelhantes aos que ocorrem na degeneração dos discos intervertebrais de mamíferos.
Os resultados deste estudo permitiram adquirir novos conhecimentos práticos, que podem ajudar a reduzir a incidência de malformações na principal espécie produzida por aquicultura na UE para consumo humano.
Fonte: Cordis