A observação dos primeiros sintomas poderá ajudar a prevenir que a carne de animais infectado com a doença das vacas loucas entre na cadeia alimentar, afirmam investigadores da Iowa State University (ISU), nos Estados Unidos da América (EUA).
Os olhos das vacas e ovelhas podem revelar sinais de problemas neurológicos como a doença das vacas loucas, de acordo com o estudo de uma equipa de investigadores da ISU, que examinou as retinas de ovinos infectados com scrapie - uma doença semelhante à BSE (encefalopatia espongiforme bovina). Segundo o artigo publicado na revista Analytical Chemistry, os olhos das ovelhas doentes apresentam um brilho distinto.
Jacob Petrich, do Departamento de Química da ISU, explicou que o estudo envolveu a análise do tecido cerebral de 73 ovelhas mortas, utilizando métodos de padrão patológico para detectar a proteína prião infectada.
Depois de avaliarem qual o número de animais que tinha a doença, os investigadores analisaram 140 olhos recorrendo à iluminação da retina com um feixe de luz e descobriram que as retinas de ovinos infectados emitiam um brilho característico.
Como a BSE, a variante da doença Creutzfeldt--Jakob (vCJD) em humanos é um tipo de encefalopatia espongiforme transmissível (TSE) - doença neurodegenerativa provocada pela proteína prião deformada. Petrich explicou que, contrariamente à forma usual de dissecar o cérebro para analisar tecidos e detectar priões, a nova técnica é uma forma indirecta de olhar para a doença neurológica.
A TSE manifesta-se normalmente nos tecidos do sistema nervoso central e, como o nervo óptico está directamente "ligado" àquele sistema, o olho torna-se o único ponto directo não invasivo de entrada para um experimentalista. "Caso contrário teria de se bater no cérebro ou na medula espinal e todas essas hipóteses são difíceis e dolorosas", explicou Petrich.
A realização de experiências de campo, para ver se é possível detectar a doença com o simples recurso à iluminação dos olhos de animais vivos, é o próximo passo dos investigadores.
A maior dificuldade, admite Petrich, é conseguir que o animal não se mova durante um pequeno período de tempo. A única hipótese será efectuar o ensaio imediatamente após a morte do animal. "Assim seria possível detectar a infecção e impedir a carne de entrar na cadeia alimentar", concluiu Jacob Petrich.
Fonte: DN Ciência