A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) emitiu, a pedido da Comissão Europeia (CE), uma actualização sobre a situação dos desenvolvimentos científicos na questão da clonagem de animais para produção de alimentos, tendo em conta os dados de centros de investigação europeus sobre saúde e bem-estar dos clones durante o seu ciclo de vida e de produção.
Esta declaração baseia-se na revisão de literatura científica até 1 de Julho 2010. A informação foi disponibilizada à EFSA na sequência de um pedido de contributos, de discussões com peritos na área de clonagem animal e de uma revisão de literatura científica por peritos externos.
O objectivo desta declaração foi avaliar a informação relacionada com os aspectos de segurança alimentar, saúde e bem-estar dos animais clonados e seus descendentes.
Um parecer científico emitido pela EFSA em 2008 concluiu que a desregulação epigenética é considerada a principal fonte de efeitos adversos que podem afectar os clones e resultar no desenvolvimento de malformações. Por outro lado, verificou-se que a saúde e o bem-estar de uma proporção significativa de clones, principalmente durante o período juvenil para os bovinos e o período perinatal para os suínos, era afectado de forma adversa, muitas vezes com um elevado grau de severidade e com um desfecho fatal.
O recurso a tecnologia de clonagem “Transferência do Núcleo da Célula Somática” (SCNT - Somatic Cell Nuclear Transfer) em bovinos e suínos resulta em clones e descendências saudáveis, os quais são semelhantes aos seus homólogos convencionais em parâmetros como as características fisiológicas, comportamento e estado clínico.
No que diz respeito à segurança alimentar, não existe qualquer indicação de que ocorram diferenças na carne e no leite dos clones e seus descendentes quando comparados com os animais produzidos de forma convencional.
Em outra declaração da EFSA, emitida em 2009, foi confirmada a validade das conclusões e recomendações do parecer científico da EFSA de 2008.
A informação disponível sobre espécies animais, para além dos bovinos e suínos, é ainda limitada para permitir a avaliação da segurança alimentar e dos aspectos relativos à saúde e bem-estar.
A informação publicada ao longo dos vários anos indica que a eficiência da clonagem em bovinos (actualmente, de cerca de 10%) e suínos (actualmente, de cerca de 6%) é menor do que a associada à reprodução natural (taxa de natalidade 40-55%) ou à tecnologia de reprodução assistida, como a inseminação artificial. Contudo, quando comparada com os embriões produzidos in vitro e a transferência de embriões em suínos, a clonagem apresenta uma eficiência idêntica (~ 6 %).
Através da fertilização in vitro podem produzir-se animais saudáveis utilizando etapas de fertilização semelhantes (ex: maturação, cultura) às usadas em clonagem, mas a uma taxa superior, especialmente em bovinos. Tal facto sugere que a reprogramação do núcleo da célula somática doadora (desregulação epigenética) afecta a eficiência da clonagem. Assim, se a taxa de sucesso da reprogramação epigenética for melhorada, é expectável que as patologias e a mortalidade observadas na proporção dos clones venha a diminuir (EFSA 2009).
Desde a publicação da declaração da EFSA em 2009 e do parecer científico em 2008, não foi disponibilizada nova informação que possibilitasse a reconsideração das conclusões e recomendações sobre a segurança alimentar, saúde e bem-estar do animal clonado, como considerado nos documentos supracitados.
Fonte: ASAE