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Efeitos do arsénio nos alimentos
2010-10-18
Qualfood

Realizar análises de rotina para avaliar a presença de arsénio em alimentos fornece informações relevantes para estabelecer níveis de segurança.

O arsénio é um elemento químico que pode ser encontrado naturalmente no planeta. Apesar de ser detectado com mais frequência no solo, também ocorre frequentemente na água ou em plantas.

Considerado um dos elementos químicos mais perigosos para a saúde, a Comissão Europeia (CE), no final de 2009, solicitou à Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) uma revisão dos níveis deste elemento e dos seus efeitos para a saúde.

A nova análise centrou-se no arsénio inorgânico, uma das formas em que pode ser encontrado nos alimentos, e demonstrou que os níveis detectados têm diminuído, especialmente em pescado e marisco. Estes novos dados foram utilizados para actualizar os valores máximos de exposição ao arsénio, através da dieta.

Há alguns anos atrás, o arsénio era utilizado no fabrico de muitos pesticidas e fungicidas, uma prática que é actualmente proibida. Na natureza existem muitos compostos que contêm arsénio, mas com características químicas muito diferentes.

As formas inorgânicas são as mais tóxicas, e as plantas podem absorve-las do solo ou da água contaminados, assim como de partículas que se depositam sobre as folhas. Em contrapartida, as formas orgânicas de arsénio podem ser encontradas em organismos marinhos e não são muito tóxicas, mas têm a capacidade de se acumular e de se tornar inorgânicas.

O comportamento dos poluentes, os hábitos de consumo e a concentração dos contaminantes nos alimentos não são homogéneos ao longo dos anos. Daí a importância da realização de estudos periódicos que permitam obter informações fiáveis e adaptadas às novas realidades e intervir de forma eficaz antes de serem detectados problemas.

Alimentos ricos em arsénio

A EFSA realizou um destes estudos durante alguns meses. Até então, estimava-se que 10% do tóxico detectado em pescado e marisco se encontra na forma inorgânica, enquanto em outros alimentos, o montante foi de 100%.

Actualmente, de acordo com o novo parecer, a proporção de arsénio inorgânico é de 2% em peixes, 3,5% em marisco e entre 50% e 100% em outros alimentos (os valores indicam uma diminuição considerável). Os especialistas acrescentam que a proporção de arsénio inorgânico em pescado e marisco não aumenta linearmente ao contrário do que acontece com a quantidade de arsénio total. Esta relação também varia muito de acordo com a espécie.

De acordo com os novos valores, a EFSA fixou quantidades de referência estimadas em 0,03 mg de arsénio inorgânico/ kg de peixe, 0,1 mg de arsénio inorgânico / kg de marisco e uma proporção de 70% nos restantes alimentos.

Segundo todos os estudos realizados até ao momento, os alimentos mais ricos em arsénio inorgânico são algas, peixes, marisco e cereais. Outros produtos de relevância, não pela quantidade de arsénio, mas pela quantidade de consumo são água, cerveja, café e hortaliças. Especialistas salientam também a importância das técnicas de confecção na quantidade final de arsénio. Com a ebulição, parte do contaminante é removido da água de confecção, o que leva à diminuição da quantidade final.

Adaptação dos valores

Para a EFSA, os efeitos nocivos do arsénio inorgânico poderiam ocorrer com uma exposição a níveis inferiores aos estabelecidos pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) e Especialistas em Aditivos Alimentares (JEFCA), que são de 15 microgramas por quilo de peso corporal por semana (equivalente a 2,1 microgramas por quilo de peso corporal por dia).

Os especialistas da EFSA definiram um novo valor da exposição, entre 0,3 e 8 microgramas por quilo de peso corporal por dia, com base num estudo sobre cancro do pulmão. Mas, por seu turno, os especialistas em aditivos alimentares do JECFA estabeleceram um intervalo entre 2 e 7 microgramas por quilo de peso corporal por dia.

A EFSA estimou também que a exposição ao arsénio inorgânico, através de alimentos e água de consumo está entre 0,13 e 0,56 microgramas por quilo de peso corporal por dia. Identificou grupos de risco, incluindo aqueles que consomem grandes quantidades de arroz e de algas e derivados. Como recomendações, a EFSA insiste que deve ser reduzida a exposição ao arsénio inorgânico através de alimentos e realizados estudos sobre o seu conteúdo antes e depois da confecção.

Arsénio na água

A Organização Mundial de Saúde, em 1993, estabeleceu o máximo de concentração de arsénio na água potável a 10 microgramas por litro, considerado o limite de detecção mais precisa da técnica então utilizada. Esta é a concentração que ainda está em vigor a nível europeu para a água engarrafada e destinados ao consumo humano. No entanto, em 2001, a OMS declarou que seria necessário estabelecer uma concentração menor, embora até à data não tenha sido alterada.

Algumas tecnologias permitem reduzir a quantidade de arsénio na água potável. Mas, embora sejam eficazes, exigem complexos projectos de engenharia, profissionais capacitados e dependem de factores económicos e ambientais.

Fonte: Consuma Seguridad

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