Com a chegada do Outono, muitas pessoas dedicam-se à colheita de cogumelos silvestres. Esta prática é normalmente feita de forma indiscriminada, o que favorece as intoxicações, devido a falta de conhecimento sobre as espécies e à semelhança que existe entre algumas espécies comestíveis e não comestíveis.
Na península ibérica, podem encontrar-se muitas espécies comestíveis, alguns com grande interesse gastronómico. Contudo, também existem muitas espécies tóxicas, que podem mesmo ser fatais.
Os novos conhecimentos científicos sobre cogumelos têm demonstrado que algumas espécies consideradas tradicionalmente comestíveis são actualmente consideradas tóxicas, como o Tricholoma equestre, vulgarmente conhecido por míscaro amarelo.
Como medida de segurança, Espanha já proibiu a comercialização, para consumo humano, desta espécie. Esta condição é surpreendente, já que o Tricholoma equestre é o cogumelo silvestre mais apreciado em Portugal. Consumido desde tempos ancestrais por múltiplas gerações é, em algumas povoações, o único conhecido e colhido pelas pessoas.
O míscaro amarelo tem elevado mercado e continua com uma forte procura pela enraizada tradição que tem na dieta alimentar de grande parte das nossas populações rurais.
Nos estudos recentes são atribuídos à ingestão desta espécie mecanismos que levam à destruição muscular (Rabdomiólisis), por fenómenos de acumulação.
Não há regras ou testes seguros para distinguir os cogumelos venenosos dos comestíveis. A única maneira de garantir que um cogumelo é comestível é identificar correctamente as espécies, o que só se consegue através do conhecimento e experiência em micologia.
Dicas para colheita e consumo de cogumelos:
- Seleccionar apenas os cogumelos das espécies comestíveis conhecidas, que se encontrem em bom estado de conservação e que saiba identificar com toda a certeza. Em caso de dúvida, opte sempre por não fazer a colheita.
- Rejeitar os exemplares partidos, em início de decomposição, excessivamente maduros, húmidos ou parcialmente congelados, devido às condições ambientais.
- Tem que se ter sempre em atenção que, depois da chuva, a coloração e algumas características específicas dos cogumelos podem ser alteradas. Por conseguinte, nunca se deve colher cogumelos após a chuva.
- Transportas os exemplares numa sesta rígida e ventilada, para evitar a fermentação.
- Conservar os cogumelos no frigorífico.
- Consumir o mais rapidamente possível, pois, a maioria, deterioram-se com muita rapidez.
- Confeccionar muito bem antes da ingestão, pois algumas espécies que não são tóxicas quando confeccionadas, podem sê-lo em cru.
- A maioria dos cogumelos não são de fácil digestão, por isso é aconselhável o seu consumo com moderação e, de preferência, como um acompanhamento.
- Guardar sempre uma amostra do produto, pois, em caso de intoxicação, facilita a identificação da espécie e a aplicação de um tratamento.
Como deve agir em caso de suspeita de intoxicação alimentar?
Aos primeiros sinais de intoxicação, deve dirigir-se imediatamente a um hospital para receber tratamento médico adequado. Se os cogumelos foram também ingeridos por outras pessoas, mesmo que não apresentem sintomas, estas também devem receber cuidados médicos.
Os sintomas de intoxicação por cogumelos variam, dependendo da espécie. Porém, os sintomas mais comuns são: dores de estômago, suores frios, vómitos, diarreia e tonturas. Os sintomas podem surgir pouco tempo após a ingestão, mas também pode começar algumas horas após a ingestão.
Fonte: Manipulador Alimentos