13 de Abril de 2026
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Vírus ameaça indústria do camarão
2010-11-26
Qualfood

O vírus do síndrome da mancha branca (WSSV, sigla em inglês) tem um efeito devastador sobre a indústria do camarão em todo o mundo, que se intensifica com a progressão da epidemia.

Um grupo de investigadores da Universidade de Wageningen, na Holanda, constatou que o WSSV evolui ao mesmo ritmo que as práticas utilizadas na captura de camarão. Os investigadores acreditam que conhecimentos mais aprofundados vão permitir maior controlo e contenção da doença. Os resultados foram publicados recentemente na revista científica PLoS ONE.

A captura mundial de camarão disparou nos últimos 10 anos, de 750.000 toneladas na década de 1990 para mais de 3 milhões de toneladas nos últimos cinco anos, o que afectou profundamente os ecossistemas.

O WSSV é um vírus fatal para o camarão e, segundo afirmam os investigadores, nas últimas duas décadas, tem prejudicado a indústria do camarão.

A doença causada por este vírus é altamente letal e contagiosa, conduzindo à morte súbita do camarão. Os surtos de WSSV devastam populações inteiras de camarão em todo o mundo em poucos dias. Com o tempo, o vírus tem vindo a manifestar-se de forma mais agressiva. Surtos documentados na China (1992) e no Equador (1999) diminuíram em 70% a produção local de camarão. Desde então, o vírus espalhou-se por todo o mundo e tem vindo a afectar o marisco selvagem na Europa.

Os investigadores de Wageningen propuseram-se a tentar desvendar o comportamento do WSSV, tão diferente de outros vírus. Para tal, reconstruíram a evolução genética e geográfica do vírus.

Os investigadores descobriram que a virulência do WSSV aumenta com o tempo e que o genoma é reduzido seguindo um padrão semelhante às previsões teóricas da biologia evolutiva.

Coordenados pelo Dr. Mark Zwart do laboratório de virologia da Universidade de Wageningen, os investigadores começaram por analisar amostras do vírus em camarão de cinco países da Ásia, comparando-as entre si e com as literatura sobre o WSSV da China, Taiwan, Tailândia e Vietname. Assim, os autores foram capazes de identificar as mutações genéticas que ocorreram com estas populações de vírus, assim como o seu grau de virulência, desde que foi descoberto o WSSV.

Eles descobriram que o extenso genoma do vírus WSSV tem regiões que variam entre as diferentes estirpes isoladas, que se distinguem principalmente pela falta de fragmentos de DNA (ácido desoxirribonucleico), processo que é denominado de delecção.

Os investigadores explicaram que a comparação entre amostras de séries cronológicas de amostras do vírus revelou um padrão curioso: a maioria dessas regiões variáveis do genoma inicialmente desapareceu, mas a taxa de delecção diminui com o tempo e pode ser expressa matematicamente. Os ensaios realizados com camarão demonstraram que a virulência do WSSV aumentou proporcionalmente.

A equipa afirma que as mutações parecem dever-se a uma adaptação evolutiva do vírus às práticas de captura do camarão. Além disso, o vírus parece ter-se espalhado por grandes distâncias num curto espaço de tempo, facto que pode ser atribuído ao transporte de camarão infectado.

Segundo os investigadores, impedir a propagação do vírus é crucial para evitar futuros surtos, pelo que, as estratégias de intervenção devem focar-se no transporte de longa distância. Salientaram ainda que, por exemplo, tomar medidas severas nas Filipinas para evitar a entrada de WSSV conseguiu atrasar a sua propagação até 1999. Entre estas medidas restritivas destacaram a proibição da importação de espécies exóticas de camarão e o controlo dos movimentos dos camarões juvenis dentro das suas fronteiras.

Os investigadores esperam que um conhecimento mais detalhado da epidemiologia do WSSV em diferentes escalas temporais e espaciais permita controlar e conter a doença.

Fonte: CORDIS

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