Um novo sistema de vigilância epidemiológica de notificação automática das doenças transmissíveis, que permitirá identificar mais rapidamente situações de risco em saúde pública, entra em funcionamento em Janeiro do próximo ano, confirmou o director-geral da Saúde .
De acordo com Francisco George, a partir de Janeiro, os dados de saúde produzidos pelos laboratórios clínicos, públicos e privados, são automaticamente disponibilizados na Internet, o que permitirá ter informação actualizada e fidedigna sobre as doenças transmissíveis e outros riscos de saúde pública e "actuar mais rápida e eficazmente" em situações de emergência.
Francisco George salientou que o Sistema Nacional de Informação de Vigilância Epidemiológica (Sinave), criado pela Lei nº 81/2009, colocará Portugal "na linha da frente" no que diz respeito a esta matéria.
A questão da notificação obrigatória de doenças transmissíveis foi suscitada pela bastonária da Ordem dos Médicos Veterinários, Laurentina Pedroso, que na sua intervenção fez notar que, em Portugal, os médicos não notificam os casos de infecção pela bactéria Campylobacter, responsável pelas gastroenterites.
Estudos revelam que, das cerca de 1460 doenças infecciosas reconhecidas no Homem, aproximadamente 60% são zoonoses, ou seja, doenças transmitidas pelos animais. A forma mais comum de transmissão é por via do consumo de produtos animais. Dados de 2008, apresentados pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), indicam que, a seguir à Grécia, Portugal é o país da União Europeia (UE) com mais casos notificados de brucelose (0,5 em cada 100 mil habitantes).
"É, também por isto, importante o entendimento de que a saúde humana e a saúde animal estão intimamente ligadas", frisou Laurentina Pedroso. Ideia também deixada pela ministra da Saúde: "Não há uma saúde pública humana e uma saúde pública animal".
Fonte: Jornal de Notícias