Os biochips apresentam um grande potencial na detecção de contaminantes dos géneros alimentícios, devido às suas múltiplas vantagens frente aos sistemas convencionais.
As técnicas analíticas convencionais permitem detectar e, por vezes, quantificar praticamente todos os contaminantes que comprometem a segurança dos alimentos. Todavia, as novas técnicas biotecnológicas oferecem mais vantagens, sobretudo maior sensibilidade de detecção, elevada fiabilidade, portabilidade (kits de pequenas dimensões e muito fáceis de transportar), melhor adaptação aos sistemas de produção sem afectar o seu normal funcionamento e, em alguns casos, possibilitam inclusivamente uma diminuição dos custos dos processos de controlo.
Os biochips são, sem dúvida, dos novos sistemas de análises, os que maior potencial apresentam no âmbito da segurança alimentar para a detecção de contaminantes.
Estes pequenos chips, também conhecidos como “microarrays” (micromatriz), são sistemas de análise multianalíticos que recorrem a sondas de reconhecimento (para anticorpos, tecidos, DNA, …) unidas a uma superfície sólida ou matriz.
Este sistema é colocado em contacto com a amostra em estudo, permitindo a análise simultânea de milhares de moléculas, com alta sensibilidade e de forma fiável.
Apesar das enormes vantagens que apresentam, os biochips também apresentam algumas desvantagens, como o investimento inicial do sistema, desenvolvimento e afinação de cada biochip e necessidade de pessoas especializadas para a sua utilização.
Não obstante, devido à sua utilidade científica e ao seu potencial no sector, o desenvolvimento e aplicação de biochips na detecção de contaminantes alimentares é um campo de elevado interesse para muitas comunidades científicas. As suas aplicações em diferentes áreas, sobretudo saúde e farmácia, são diversas, mas, no que respeita ao sector alimenta, a utilização de biochips centra-se principalmente em três pontos: a detecção de microrganismos patogénicos, a detecção de resíduos de medicamentos em alimentos e a identificação de espécies.
A detecção de microrganismos patogénicos é uma prioridade tanto para a indústria alimentar com para as entidades responsáveis pelo controlo da saúde pública.
Diversos estudos avaliam a utilização de biochips para detecção de patogénicos em alimentos. A utilização de micromatrizes baseadas em sondas oligonucleotídicas (moléculas formadas pela união de ácidos nucleicos) permite a realização de análises múltiplas de diversas estirpes de bactérias de interesse como Escherichia coli (O157:H7), Staphylococcus spp., Listeria monocytogenes ou Clostridium botulinum, entre outras. Permite também a detecção de fungos produtores de micotoxinas como Fusarium spp., Aspergillus spp. ou Penicillium spp e vírus como o da hepatite A, Noroviros e Rotavirus, entre outros.
Quanto à identificação de espécies animais utilizadas na alimentação humana, alguns estudos aprofundar o uso de biochips baseados em sondas de oligonucleotídeos para as diferentes espécies de aves (frango e peru), peixes (enguias, bacalhau, atum, truta e pescada) e mamíferos.
Por último, para a detecção de resíduos de medicamentos utilizados em animais que entram na cadeia alimentar, os biochips desenvolvidos baseiam-se no reconhecimento mediante anticorpos.
Principais aplicações
Algumas empresas especializadas em biotecnologia já desenvolveram e estão a comercializar biochips para detecção de contaminantes na indústria alimentar. Uma empresa norte-americana lançou para o mercado um biochip com anticorpos, que permite a detecção de resíduos de medicamentos como estreptomicina, sulfadimidina ou cloranfenicol, entre outros.
Esta mesma empresa também tem outro biochip no mercado baseado em sondas de oligonucleotídeos, que permite a detecção de bactérias como Staphylococcus, Vibrio parahaemolyticus, Campylobacter jejuni, E. coli O157:H7, Enterobacter sakazakii, Listeria monocytogenes, Vibrio vulnificus, Salmonella, Shigella e Streptococcus beta hemolítico.
Além das aplicações descritas, a utilização de biochips poderá ser benéfica para outros pontos como a detecção de toxinas, alergénicos, pesticidas, entre outros contaminantes, ou controlo de organismos geneticamente modificados (OGM).
Fonte: Consuma Seguridad