Nanopartículas com capacidade para atrair e libertar um agente antimicrobiano, que permite aumentar a vida útil dos alimentos susceptíveis à Listeria monocytogenes, foram desenvolvidas por uma equipa de investigadores da Purdue University.
A equipa de investigadores, apoiada pelo professor assistente de ciência dos alimentos Yao Yuan, alterou a superfície de um hidrato de carbono existente no milho doce chamado fitoglicogénio, o que levou à criação de várias formas de uma nanopartícula que permite atrair e estabilizar a nisina, um peptídeo antimicrobiano.
As nanopartículas podem preservar a nisina até três semanas, evitando o desenvolvimento de Listeria, um patogénico de origem alimentar potencialmente letal, que pode ser encontrado em carnes, lacticínios e produtos hortícolas e que é especialmente problemático para grávidas, lactentes, idosos e outras pessoas com sistema imunitário debilitado.
O controlo de Listeria nos balcões expositores dos talhos, por exemplo, é especialmente problemático, pois a carne está continuamente a ser retirada, cortada e armazenada, aumentando assim a probabilidade de contaminação com este microrganismo.
Isoladamente, a nisina, só é eficaz na inibição de Listeria por um curto período de tempo. A utilização de nanopartículas, que mantêm as propriedades antimicrobianas da nisina, poderá permitir uma eficácia prolongada da mesma.
Yao Yuan utilizou duas estratégias para atrair a nisina para as nanopartículas. Inicialmente, carregou negativamente a superfície das nanopartículas e utilizou a actividade electrostática para atrair as moléculas com carga positiva da nisina. Em seguida, criou uma condição parcialmente hidrofóbica na superfície das nanopartículas, fazendo-a interagir com moléculas parcialmente hidrofóbicas da nisina.
Segundo Yao, as duas estratégias podem ser utilizadas em conjunto para permitir que as nanopartículas atraiam e estabilizem a nisina. "Isto poderia reduzir substancialmente as perdas de nisina em diferentes sistemas", salienta o investigador.
De acordo com Yao, uma solução com as nanopartículas e nisina livre pode ser pulverizada na superfície dos alimentos ou incluída na embalagem. A solução requer um equilíbrio entre a nisina livre e a nisina ligada às nanopartículas. “Quando a quantidade de nisina livre diminui é desencadeada a libertação de nisina ligada às nanopartículas, restabelecendo-se assim o equilíbrio”, disse Yao. Utilizando este modelo, Yao afirma que a nisina pode conservar-se até 21 dias.
A equipa de investigadores esta agora a tentar alargar esta técnica ao combate de outros microrganismos e a produtos alimentares diferentes.
Fonte: Purdue University News Service