A amamentação exclusiva até aos seis meses, como recomenda a Organização Mundial de Saúde (OMS), pode afinal não ser a melhor opção para a saúde dos bebés. O alerta foi lançado no British Medical Journal(BMJ) por uma equipa de investigadores, liderada pela pediatra Mary Fewtrell, consultora do Instituto para a Saúde da Criança, da UCL (University College of London).
As evidências científicas que apoiam a recomendação da OMS foram revistas e, segundo a especialista, está na altura de reavaliar esta recomendação que data de 2001. Para ela, a amamentação exclusiva até aos seis meses pode aumentar o risco de alergias e os casos de défice de ferro.
Esta opção continua contudo a ser a mais benéfica nos países em desenvolvimento, pois reduz os riscos de infecção, que são maiores em zonas onde as condições de higiene não são tão boas.
Segundo os investigadores, que passaram em revista os estudos nesta área nos últimos anos, a amamentação exclusiva até aos seis meses não é a melhor opção nos países desenvolvidos, porque está associada a um maior risco de anemia (défice de ferro); pode conduzir a uma maior incidência de alergias alimentares e leva a um maior risco de doença celíaca (intolerância ao glúten).
Estas conclusões baseiam-se na revisão de 33 estudos que apontam não haver evidências irrefutáveis que desaconselhem a introdução dos sólidos entre os quatro e os seis meses. E também num estudo americano de 2007 que aponta um risco acrescido de anemia em bebés amamentados em exclusivo até aos seis meses quando comparados com os que começam a diversificação alimentar entre os quatro e os seis meses.
É ainda referido um estudo realizado na Suécia onde se concluiu que houve um aumento de casos de doença celíaca precoce depois de começar a recomendar-se a introdução do glúten apenas a partir dos seis meses. Quando essa recomendação foi suspensa e o glúten voltou a ser introduzido a partir dos quatro meses, o número de casos de doença celíaca voltou a descer.
Recentemente, a Comissão Europeia (CE) solicitou um estudo à Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) sobre nutrição e alergias e concluiu que na Europa os alimentos sólidos podem ser introduzidos com segurança entre os quatro e os seis meses. E que a amamentação exclusiva até aos seis meses pode não suprir as necessidades nutricionais para um desenvolvimento e crescimento saudáveis.
Fonte: IOL Diário