Foi realizado, pela primeira vez, um estudo que avalia a influência do processo de cura do presunto na viabilidade do Toxoplasma gondii, o parasita responsável pela toxoplasmose.
A equipa de investigadores da Universidade de Saragoça, em Espanha, realizou bioensaios em cobaias para avaliar o risco de infecção com Toxoplasma gondii após a ingestão de presunto. Após 14 meses de cura do presunto não foram detectados parasitas viáveis.
Os resultados do estudo levam a crer que o consumo de presunto, curado de acordo com o procedimento descrito no estudo, representa um risco pouco significativo de infecção com Toxoplasma gondii. Porém, são necessários estudos adicionais para avaliar a segurança destes produtos curados sob diferentes condições de tempo, salga e concentração de nitratos.
O principal objectivo deste estudo pioneiro era avaliar o risco para a saúde dos consumidores, em especial das grávidas, de contrair toxoplasmose através do consumo de presunto curado.
Em mulheres grávidas existe o risco de transmissão para o feto, com graves consequência. Estudos epidemiológicos assinalam que a infecção está relacionada com o consumo de carne crua (ou mal confeccionada) e produtos cárnicos curados, o que faz com que os médicos aconselhem as grávidas a evitar o consumo deste tipo de produtos.
O estudo foi realizado com suínos naturalmente infectados com Toxoplasma gondii. E foi analisada a presença de parasitas viáveis em carnes frescas e presuntos através de bioensaios.
Os presuntos foram analisados após 7 meses de cura e aos 14 meses. No produto final não foram detectados parasitas viáveis (os resultados foram confirmados por histologia e PCR), o que leva a crer que o seu consumo supõe um risco reduzido de provocar toxoplasmose. As conclusões do estudo evidenciam a importância do tempo de cura na inactivação do parasita e assinalam a necessidade de se avaliar o risco em outros produtos com tempos e condições de cura diferentes.
Fonte: SINC