Resistir aos doces, mesmo quando se quer dizer «não», é uma tarefa complicada. A suspeita de que o açúcar cause dependência levou investigadores do Instituto Central para Saúde Psicológica de Mannheim a aprofundar o tema.
Para desvendar a questão, Falk Kiefer submeteu pacientes com excesso de peso a uma sessão de ressonância magnética e observou as reacções face à exibição de imagens de doces, bolos e gelados.
Com a experiência, Kiefer descobriu que as imagens activam o chamado mecanismo de compensação do cérebro em pessoas que apresentam problemas alimentares.
Em todos os casos, foi observada a libertação de dopamina, um neurotransmissor que estimula o sistema nervoso central. Também conhecida como «hormona da felicidade», a substância proporciona expectativas positivas e a sensação de bem-estar.
Esta reacção é comparável aos efeitos provocados por drogas ou álcool. Quando administrado em doses cada vez mais altas em ratos, por exemplo, o álcool provoca a libertação da dopamina. Quando o animal deixa de receber a substância, este demonstra sintomas humanos de abstinência, como tremores, inquietação e ansiedade.
Sintomas semelhantes são observados quando os ratos recebem água com açúcar. Os investigadores encontraram no cérebro dos ratos «viciados em açúcar» as mesmas alterações observadas em pessoas viciadas em drogas.
O investigador Rainer Spanagel assegura que «os processos que são libertados no mecanismo de compensação pelo açúcar são, de facto, comparáveis com o álcool e a nicotina».
O consumo de drogas, além do mecanismo de compensação, envolve ainda o circuito cerebral do stress, libertando neurotransmissores produzidos pelo próprio corpo, como a endorfina e opióides.
Os neurotransmissores provocam a sensação de felicidade e causam o vício. Quantidades elevadas de açúcar transforma os dois sistemas nos ratos, explica Spanagel. O investigador acredita que as conclusões possam também ser válidas para pessoas, já que testes com animais na área de dependência química são geralmente aplicáveis a seres humanos.
Fonte: Diário Digital