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Substâncias com actividade hormonal nos alimentos são um risco emergente
2011-02-23
Qualfood

As substâncias com actividade endócrina são produtos químicos com efeitos sobre as hormonas, que podem existir nos alimentos sobre a forma de contaminantes.

As substâncias que influenciam o sistema hormonal humano, denominadas disruptores endócrinos, podem causar efeitos prejudiciais para a saúde. Estes disruptores endócrinos podem ser ingeridos como contaminantes alimentares e perturbar o funcionamento normal das hormonas no organismo, assim como aumentar o risco de desenvolvimento de doenças relacionadas com o sistema endócrino.

A Agência de Segurança Alimentar da Catalunha (ACSA) anunciou recentemente, num boletim informativo, que considera a acção destas substâncias um risco emergente. Este alarme fundamenta-se tanto no aumento de doenças humanas relacionadas com o sistema endócrino como nos efeitos adversos detectados em animais selvagens, principalmente peixes, e em animais de laboratório.

Os contaminantes alimentares com acção disruptora não são um grupo uniforme do ponto de vista químico nem relativamente à sua origem. Segundo este critério, as vias pelas quais chegam aos consumidores são variadas:

• Contaminantes naturais, produzidos de forma natural por outros organismos vivos como microestrogénios, estrogénios procedentes de fungos, como o do género Fusarium.

• Contaminantes ambientais, como dioxinas, PCB’s e metais pesados, como o cádmio, o mercúrio e o chumbo.

• Contaminantes derivados de processos, como os ftalatos e o bisfenol A.

• Resíduos agrícolas, como os restos de produtos fitossanitários.

A avaliação destes contaminantes é muito problemática, pois além de ser um grupo muito heterogéneo relativamente à sua natureza química, também o é relativamente aos mecanismos de contaminação dos alimentos. Além disso, à que ter em consideração o factor acumulativo destes disruptores, que não são substâncias com efeitos tóxicos agudos, mas que interferem com o sistema endócrino humano e as suas consequências são detectadas num período de tempo muito variável.

Base de dados

A União Europeia (UE) estabeleceu em 1999 uma estratégia comum para incentivar a investigação dos distúrbios endócrinos, conhecer melhor os seus mecanismos e actuar sobre o problema mediante medidas conjuntas e disposições legais. Foram também introduzidos critérios de avaliação de possíveis efeitos hormonais de substâncias tão distintas como pesticidas, produtos fitossanitários, aromas e outros aditivos alimentares.

O Centro de Investigação Toxicológica, em colaboração com a Food and Drug Administration (FDA), desenvolveu uma base de dados e um modelo matemático que, além conter as substâncias disruptoras endócrinas, prevê a afinidade das substâncias com os receptores hormonais, através da sua estrutura química. Este modelo evita a necessidade de realização de testes in vitro com animais.

Por seu turno, a Comissão Europeia (CE) criou uma base de dados com mais de 400 substâncias endócrinas, fornecendo informações de interesse sobre a situação legal e a rotulagem. Internacionalmente, existe um directório de projectos, desenvolvido pela Organização das Nações Unidas sobre disruptores endócrinos, onde estão registados quase 800 trabalhos.

Produtos fitossanitários

Em Junho do presente ano entrará em vigor um regulamento que autorizará a comercialização de um produto fitossanitário, uma das substâncias conhecidas como disruptores endócrinos. Estabelece-se como requisito a ausência de actividade hormonal no mesmo. No entanto, ainda não foi determinado um sistema de análise específico apoiado por todas as comunidades científicas.

O Instituto Federal para a Avaliação de Riscos, da Alemanha, estabeleceu os critérios para as substâncias fitossanitárias com risco de actividade disruptora. Estes baseiam-se em quatro pontos sequenciais, que são apresentados como procedimentos de avaliação à Comissão Europeia e à EFSA:

• Avaliação de dados toxicológicos previstos pela aplicação da substância. Em caso de ser tóxica, mutagénica ou cancerígena, será proibida de forma automática.

• Avaliação dos efeitos disruptores.

• Avaliação dos efeitos sobre a saúde humana.

• Avaliação da exposição da população à substância.

Produtos de origem animal

As substâncias de efeito hormonal podem deixar resíduos na carne e nos restantes produtos de origem animal. Estes resíduos podem afectar a qualidade dos produtos alimentares e ser perigosos para a saúde dos consumidores. Em 1981, a UE publicou uma Directiva que proibia a utilização de substâncias com actividade hormonal para o crescimento dos animais. No entanto, é permitida a admissão pontual de medicamentos desenvolvidos com estas substâncias com finalidades terapêuticas definidas e sempre com controlo.

A razão pela qual se proíbem as substâncias tireostáticas, também conhecidas como finalizadores cárneos, é que possibilitam fraudes mediante o aumento da água retida na carne e promovem o crescimento dos animais. Uma destas substâncias é o clembuterol, para o qual estão previstos métodos de detecção rápidos nos próprios matadouros.

Fonte: Consuma Seguridad

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